Amrik exibe dois documentários inéditos sobre povos árabes

Circula na internet um documento audiovisual com o título "Fanatismo Religioso". "Acorda, Europa. Breve na sua cidade favorita" (é o que diz o texto) - árabes participam de uma manifestação de rua. Vertem sangue pelo Islã. Golpes de afiados facões no couro cabeludo provocam a torrente de sangue. Não apenas adultos - inocentes crianças, bebês que dormem, são abruptamente acordados com o golpe e berram com a cara ensangüentada. O espetáculo é duro de agüentar. O documento faz parte de uma campanha contra o mundo árabe. Dê o desconto do objetivo de má-fé. As imagens não são manipuladas; são reais. Com todo o respeito que se possa ter pelo outro, o que se passa na tela é chocante.Especialmente após o fatídico 11 de Setembro, os povos árabes têm estado no centro de todas as polêmicas geopolíticas. Sabe-se pouco, no entanto, sobre eles e o desconhecimento somente acirra animosidades e diferenças. Um evento na cidade - Amrik, formado por mostra fotográfica, palestras, danças e filmes - vem discutindo desde o último dia 9 a presença árabe na América Latina. Amrik é justamente América, em árabe. A partir desta terça-feira, começam as projeções de filmes. São cinco. Dois são inéditos - "Escritores nas Fronteiras" e "Sendo Osama". Os restantes são mais conhecidos - "A Grande Viagem", "Sob o Céu do Líbano" e "Selves and Others - Um Retrato de Edward Said". Simultaneamente, você deve ler "Uma História dos Povos Árabes", de Albert Hourani, que sai pela Companhia de Bolso.O livro procura preencher a lacuna - sabemos pouco sobre os povos árabes e sua história (leia ao lado). Os filmes e as palestras, as fotos, todos participam do mesmo movimento para desvendar os povos árabes para o leitor/espectador ocidental. Não é tarefa fácil. Vivemos na sociedade da imagem e a mídia tem ajudado a esculpir uma certa idéia dos árabes que reforça o preconceito. Cabe sempre destacar - essa idéia não surgiu do nada. Tem sido reforçada por acontecimentos sangrentos. Há um mundo árabe da cultura e do refinamento. Há outro cujo fanatismo religioso levou ao terrorismo. O problema é que ambos formam um só mundo, complexo e dilacerado.O mundo todo ficou mais complicado. O triunfo das economias neoliberais, a desumanização crescente desse assustador mundo novo representado pelos EUA de George W. Bush são motivos permanentes de preocupação. O cinema não se cansa de interrogar sobre o que tudo isso representa. "Sob o Céu do Líbano" e "A Grande Viagem" você, cinéfilo, com certeza conhece. "Escritores nas Fronteiras" e "Sendo Osama" são documentários. O primeiro trata de oito escritores que visitam o poeta exilado Mahmud Darwish. O segundo mostra os efeitos do 11 de Setembro nas vidas de cinco descendentes de árabes radicados nos EUA. Em ambos, como no evento todo, a questão da fronteira é essencial. Fronteiras interiores, culturais, políticas. É tudo isso que Amrik está discutindo. Amrik. Hoje, 17 h, e amanhã, 19h30, "Selves and Others - Um Retrato de Edward Said", de Emmanuel Hamon; hoje, 19h30, "Escritores nas Fronteiras", de Samir Abdallah e José Reynes. Amanhã, 17 h, "Sob o Céu do Líbano", de Randa Chahal Sabbag. Galeria Olido . Avenida São João, 473, 3331-8399 e 3334-0001, ramal 1941. 3.ª a dom. Grátis. Até 3/9

Agencia Estado,

29 de agosto de 2006 | 11h03

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