América Latina e Europa dominam Quinzena dos produtores

Brasil participa com duas produções: o curta 'Muro' e a co-produção com o Chile 'Tony Manero'

Efe

08 de abril de 2025 | 20h14

O cinema latino-americano ganhará mais visibilidade em maio em Cannes, com quatro filmes na seção paralela Quinzena dos Produtores, sendo duas produções brasileiras. A América Latina será representada por quatro filmes, mesmo número que o Leste Europeu e a França, país que participa de oito co-produções. Para a 40ª edição da Quinzena dos Produtores, realizada entre 15 e 25 de maio, está prevista a exibição de 22 longas-metragens. O Brasil participa com duas produções: o curta Muro e a co-produção com o Chile Tony Manero, dirigida pelo chileno Pablo Larrain. As co-produções marcaram essa edição. Com dois diretores, Lisandro Alonso e Pablo Agouro, Argentina estará presente em três; Espanha, Alemanha e Bélgica em dois; e Portugal, Polônia, Filipinas, Argélia, Holanda, Uruguai, Chile, Brasil e México em uma. A França marcará presença com os filmes Les Bureaux de Dieu, de Claire Simon, De la guerre, de Bertrand Bonello, Monsieur Morimoto, de Nicola Sornaga, e Le voyage aux Pyrénées - de Jean-Marie e Arnaud Larrieu, além das oito co-produções. Entre elas estão a argelina Le Dernier maquis, de Rabah Ameur-Zaomeche, a polonesa Quatre nuits avec Anna, de Jerzy Skolimowski, a portuguesa Aquele querido mês de agosto, de Miguel Gomes, a filipina Now showing, de Raya Martin, e as belgas Eldorado, de Bouli Lanners, e Eleve libre, de Joachim Lafosse. A presença européia será completada com Boogie, do romeno Radu Muntean, Il resto della notte, do italiano Francesco Munzi, Shultes, do russo Bakur Bakuradze, El Cant dels ocells, do espanhol Albert Serra, e Blind loves, do eslovaco Juraj Lehotsky.  Por terem sido selecionados por seu primeiro longa-metragem, o argentino Pablo Aguero (com Salamandra) e o uruguaio Federico Veiroj (com Acné), além do russo Bakur Bakuradze (com Shultes) passaram a ser hoje candidatos ao prêmio Câmera de Ouro do 61º Festival de Cannes, que será entregue em 14 e 15 de maio. Sobre a "forte presença" latina, o diretor artístico do festival paralelo, Olivier Père, disse à Agência Efe que seus cineastas estão em grande quantidade "em Cannes e em vários festivais do mundo inteiro." Isso prova que nesse continente "muita energia, muito talento e muitos cineastas que têm a força, a coragem de fazer filmes extremamente originais." Surgido a partir do movimento de maio de 68 francês, este evento Off lançou sua 40ª edição um dia depois que a seção Semana da Crítica apresentou sua 47ª edição, e após ser publicada a programação oficial do 61º Festival de Cannes, no último dia 23. Nesse ano, haverá uma fartura de produções latino-americanas em todos esses festivais, em alguns casos maior até que em 2007. Haverá uma diminuição notável da presença asiática, e, em certa medida, da americana, enquanto aumentará a criação européia. Segundo Olivier Père, "A seleção é uma escolha (...), para mim o importante é o cinema." Para ele, o que conta é que seja "um filme muito belo." Mesmo assim, a nacionalidade de um filme é algo cada vez mais "difundido", lembrou Père, que não considera que seja sua culpa que os produtores franceses estejam envolvidos em muitas co-produções internacionais, "seja na América Latina, na Europa ou na Ásia", e que predominem de maneira indiscutível na Quinzena. A Quinzena dos Produtores é um festival criado pela Sociedade Francesa de Produtores (SFR) há 40 anos, em defesa do cinema autoral, independente e audaz, em oposição ao festival oficial que até então só exibia os filmes escolhidos por cada país.

Tudo o que sabemos sobre:
CannesAmérica Latina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.