UNIVERSAL PICTURES
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'A Primeira Noite de Crime' é uma longa noite de loucuras e violência

Produtor e diretor Gerard McMurray reflete sobre a liberação da violência como forma de tentar conter o crime

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2018 | 06h00

Nos EUA, a classificação do filme foi R – de ‘restricted’ – pela soma de violência, abuso de drogas e linguagem chula. Se você vir o filme dublado, terminará achando A Primeira Noite de Crime ainda mais grosseiro que é. O longa de Gerard McMurray redimensiona o terror na era Donald Trump – e no pós Corra! não se pode nem dizer que tem um subtexto político. A política é o seu background. Em fase de eleição, no Brasil, presta-se a um debate que pode ser bem interessante, mais até que suas qualidades.

Olhe o casal da foto – negros e belos. Olhe a bandeira estrelada – e os punhos acorrentados. McMurray também está querendo dar seu testemunho sobre a ‘América’. Na ficção de seu filme, a Nova Fundação Pais da América resolve desenvolver um experimento científico para tentar conter a violência urbana. Durante uma noite – 12 horas –, a NFPA libera o crime numa cidade dos EUA. Para dar vazão ao ódio, as pessoas podem matar impunemente. Transfira para o Brasil, onde o debate sobre armamentos anda acirrado. O risco é que a violência autorizada viraliza. Vira ameaça nacional.

No original, o filme chama-se The First Purge. Em 2014, já houve The Purge – Anarchy, dirigido pelo mesmo James DeMonaco que agora tem crédito de roteirista. Como num game, a cidade é ocupada por mascarados. As máscaras, preservando a identidade, criam a invisibilidade. Tudo é permitido. O agora diretor Gerard McMurray veio da produção – Código do Silêncio, Fruitvale Station – A Última Parada. McMurray é negro, como Ryan Cooglar, o diretor de Fruitvale e de Pantera Negra, e também como Jordan Peele, de Corra! Representam todos a nova consciência negra de Hollywood.

Embora a violência liberada atinja a sociedade como um todo, McMurray se interessa principalmente pelos efeitos da medida sobre o segmento negro. Os EUA nunca promoveram a fantasia da integração cordial brasileira, por exemplo. A luta por direitos civis foi feroz. Foi preciso desmontar o aparato racista que tinha até organizações constituídas – a Ku Klux Klan. Será no mínimo interessante acompanhar a luta pela sobrevivência de Y’lan Noel e Lex Scott Davis nessa longa, embora sejam só 12 horas, noite de loucuras que ronda a América.

 

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