Ameaçada homenagem a Jorge Amado

Guido Araújo confessa que achou que seria mais fácil. O idealizador da Jornada de Cinema da Bahia anunciou, no fim da edição do evento no ano passado, que a jornada deste ano ia prestar uma grande homenagem a Jorge Amado. Considerando-se que Jorge sempre foi o escritor mais amado do País, Araújo achou que poderia levantar, sem muitas dificuldades, os recursos necessários à homenagem que tinha em mente. A 28.ª Jornada de Cinema da Bahia começa em duas semanas, no dia 13. A falta de dinheiro já é uma tradição. Mas o que mais angustia Araújo é a ameaça que pesa sobre sua homenagem a Jorge Amado.O orçamento total da jornada é de R$ 2,3 milhões. Cerca de R$ 700 mil destinam-se à parte do evento dedicada a Jorge Amado e R$ 120 mil, especificamente, a duas exposições que Araújo gostaria que fossem itinerantes. A itinerância corre o risco de parar em Salvador, onde ocorre, de qualquer jeito. A morte de Jorge Amado pode ter sido chorada na mídia e nas ruas, mas não comoveu o empresariado. Araújo diz que grandes empresas da Bahia publicaram anúncios de página inteira nos jornais de Salvador, expressando seu pesar, mas nenhuma está colocando um real, que seja, nas mostras que pretendem manter acesa a chama do escritor. Seu projeto, ele reconhece, é ambicioso. Araújo se baseou no exemplo da mostra Cem Anos de Buñuel, no centenário do mestre surrealista. Imaginou uma retrospectiva de filmes, um colóquio internacional discutindo cinema e literatura, com ênfase nas adaptações da obra amadiana, e as duas exposições. Uma delas se chama Jorge Amado no Universo do Cinema. Araújo planejou essa exposição para um espaço de 200 metros quadrados. A idéia, a partir de um pórtico que reproduz a entrada da Casa do Rio Vermelho, é dar ao público a idéia de que está transpondo os umbrais da casa de Jorge Amado.A outra se chama Jorge Amado no Olho da Objetiva de Zélia Gattai e reúne as fotos que a amada de Jorge, hoje no olho de uma furacão envolvendo a sucessão do escritor na Academia Brasileira de Letras, tirou do marido em sua convivência com o universo das artes, ao longo de 30 anos. Araújo precisa de dinheiro - não muito - para garantir a itinerância dessas exposições. Seu plano, encerrada a jornada, é trazê-la para São Paulo, para o Museu da Imagem e do Som (MIS), em outubro, e depois levá-la a Brasília, em novembro, durante a realização do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.Em janeiro, ele leva a exposição para o Rio e, em março, para a Europa, começando por Lisboa. Vai depois a Roma, onde espera aproveitar a montagem do musical de Chico Buarque baseado em Dona Flor e Seus Dois Maridos, Paris e conclui a turnê em Madri. Isso, naturalmente, se surgirem os patrocinadores. Os interessados podem ligar para (071) 336-1680 e (071) 336-1292.

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