CDI Films
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'Amante Por Um Dia', um dos grandes filmes do ano, está entre as estreias desta semana nos cinemas

'Tomb Raider' e 'Imagens do Estado Novo' são destaques; veja os filmes que entram em cartaz

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 06h00

Amante Por Um Dia

Numa entrevista por telefone, de Paris, Philippe Garrel diz algo importante sobre o novo filme, Amante Por Um Dia, que estreia nesta quinta, 15. “Como homem sou naturalmente atraído pelas mulheres, mas elas também me interessam dramaturgicamente. Só que, quando estou numa relação, não tenho distanciamento nem vontade de investigar o comportamento feminino. No filme, sim, e requisitei mulheres para trabalhar comigo no roteiro, inclusive Caroline Deruas, com quem sou casado. Seu aporte foi muito interessante.”

Amante Por Um Dia é um filme francês, com cara de filme francês. O protagonista é um intelectual, um professor, que tem um affair com uma aluna. E ocorre de sua filha ter levado o fora do namorado, e ter de morar com ele. Duas mulheres, e de idades próximas. Conversam coisas de mulheres. Com o homem maduro é (pode ser) outro. Embora tenha surgido no cinema francês pós-nouvelle vague, Philippe Garrel não deixa de ser, tardiamente, um autor da ‘nova onda’. Ele admite - “Não faço cinema referencial, para homenagear meus mestres, mas (Jean-Luc) Godard de alguma forma está sempre presente no meu cinema. Adoro seu cinema político, e o preto e branco de seus primeiros filmes, que remetem aos (irmãos) Lumière.”

Um filme de amor? “Não necessariamente. Vejo Amante Por Um Dia mais como um filme de psicanálise.” E Garrel acrescenta. “Meu cinema mudou quando comecei a trabalhar com (Jean-Claude) Carrière. Ele me colocou uma nova maneira de narrar, estruturar. E, por sua parceria com (Luis) Buñuel, traz naturalmente elementos políticos, psicanalíticos, porque o surreal pertence muito ao domínio do inconsciente.” Eric Caravaca faz o pai, o professor. Esther Garrel, filha de Philippe, é a filha. “Já filmei Louis, meu filho, e Maurice, meu pai, que talvez tenha sido minha maior influência na vida. Filmar os filhos, o pai, tem algo de documentário, que impregna a ficção.”

Tomb Raider - A Origem/Tomb Raider 

Quando esteve no Brasil para apresentar o novo Tomb Raider na CCXP Comic Con Experience, Alicia Vikander falou sobre sua preparação para suceder a Angelina Jolie como Lara Croft. É curioso que os produtores tenham escolhido duas vencedoras do Oscar - Angelina, por Garota, Interrompida; Alicia, por A Garota Dinamarquesa. Isso sinaliza para alguma coisa. Uma vontade de dar certa densidade à heroína dos games?

Tom Raider - A Origem está centrado na busca que Lara faz de seu pai. Ele sumiu num mar de tempestade, investigando os traços de uma mítica rainha japonesa. De cara, Lara é solicitada a enterrar o pai, do ponto de vista legal, para prosseguir com os negócios da família. Mas ela precisa antes enterrá-lo emocionalmente, fazer seu luto.

A busca a leva a sucessivas descobertas, inclusive a de que a rainha não... Olha o spoiler! Alicia precisou de muita preparação, e não apenas física. O filme de Roar Uthaug termina em aberto, sinalizando para uma sequência. É cinemão cheio de ação, efeitos. Os produtores estavam certos. O que faz a diferença é Alicia.

Western

É interessante como, no momento em que se fala tanto em gêneros - homens, mulheres, o universo LGBT -, novos autores estejam propondo um olhar transgênero. Em Cannes, no ano passado, ao apresentar Western, a diretora Valeska Grisebach fez a defesa de seu filme dizendo que, nesse momento de (in)certezas, nada é mais importante do que tentar entender o outro.

Western é um filme sobre homens, feito por uma mulher. O título evoca o oeste, a civilização ocidental, mas também o gênero por excelência do cinema norte-americano. Um universo de machos. Trabalhadores alemães são contratados para construir uma hidrelétrica na Bulgária. Não é só a paisagem que é diferente para eles. A língua, a cultura.

Explodem conflitos. O grupo tem o paquerador, que assedia, senão exatamente abusa, das mulheres. Maren Ade, de Toni Erdmann, é coprodutora e o filme não deixa de ser outro interessante capítulo de uma investigação sobre a economia expansionista alemã. E não deixa de ter algo de John Ford, Forte Apache/Sangue de Herói, no personagem solitário de Meinhard Neumann.

Imagens do Estado Novo 

A par de sua atividade como montador de um filme visceral do cinema brasileiro - Terra em Transe, de Glauber Rocha -, Eduardo Escorel possui a própria obra de diretor. Fez ficções como Lição de Amor, O Cavalinho Azul e Ato de Violência; documentários como Paulo Moura - Alma Brasileira. Recentemente, participou da montagem de No Intenso Agora, de João Moreira Salles. Um dos mais belos momentos do É Tudo Verdade no ano passado foi justamente o encontro de Escorel para discutir o filme, Maio de 68, etc. Uma master class de dois grandes. Escorel lançou no É Tudo Verdade de 2017 - outro já vai começar - o documentário Imagens do Estado Novo, que agora estreia. 

O filme tem cerca de 4 horas. Não se intimide. As imagens são belíssimas, reveladoras, e a montagem, brilhante. Escorel se interroga sobre o período ditatorial de Getúlio Vargas. É possível fazer um documentário crítico sobre o Estado Novo utilizando as mesmas imagens feitas para promover o regime? Paulo Moura já era sobre o Brasil. Imagens também é, e sobre o uso que se pode fazer do cinema.

A Luta do Século

Durante anos, o pernambucano Luciano ‘Todo Duro’ e o baiano Reginaldo ‘Holyfield’ esculpiram a rivalidade que levou à ‘luta do século’. Ambos pobres, superaram a fome e miséria pelo esporte. Sérgio Machado documenta a dupla e revela um Brasil que sobrevive ‘à margem’.

Maria Madalena

Em sua curta carreira, Rooney Mara vem esculpindo rapidamente um lugar destacado no imaginário do cinéfilo. É bela, talentosa, intensa. Rooney brilha como Maria Madalena. O ‘Cristo’ Joaquin Phoenix. O Evangelho da Mulher, segundo Garth Davis. Fortíssimo. 

+++ 'Maria Madalena' resgata a imagem manchada da figura mítica e sua importância na jornada de Jesus

12 Heróis / 12 Strong 

Baseado no livro Horse Soldiers, do escritor Doug Stanton, conta a história da primeira equipe de Forças Especiais americanas enviada ao Afeganistão após o 11 de Setembro. Sob o comando de um novo capitão, eles devem trabalhar com um general afegão para tentar destruir o Taleban.

Híbridos - Os Espíritos do Brasil 

O filme foi realizado a partir de pesquisa de 3 anos pelo Brasil. Faz mergulho na cultura espiritual do País, desde a maior procissão católica do mundo a um ritual indígena em Mato Grosso, passando por passes de cura em centros espíritas e rituais com ayahuasca em São Paulo.

O Silêncio da Noite É que Tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras

A poesia é a personagem central do documentário de Petrônio Lorena rodado nas cidades de São José do Egito, em Pernambuco, e Ouro Velho e Prata, na Paraíba, nas quais as rimas fazem parte do cotidiano da população que revive essa tradição para contar a sua história e suas vivências.

Em Pedaços /Aus Dem Nichts

Após perder o filho e o marido em um ataque terrorista xenofóbico na Alemanha, uma mãe de família buscará na justiça a punição dos culpados, um casal neonazista, mas como nada acontece a mulher decide praticar a vingança com as próprias mãos. 

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