Cena de 'Alvin e os Esquilos Na Estrada'
Cena de 'Alvin e os Esquilos Na Estrada'

'Alvin e os Esquilos' aprontam com técnica que se supera em novo filme

Há um aspecto lúdico muito interessante na história de Dave e do trio de esquilos que formam uma família, por mais absurda que pareça

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2015 | 18h30

Vamos logo poupar tempo e saltar as considerações iniciais que os críticos costumam fazer em relação a Alvin e os Esquilos – e a blockbusters de Hollywood. A cantilena das franquias, da repetição das fórmulas de filmes que dão muito dinheiro etc. Alvin e os Esquilos 4 – Na Estrada não é para todos os gostos. Os críticos, em geral, odeiam. Mas não se sinta inferior por isso. Há um aspecto lúdico muito interessante na história de Dave e do trio de esquilos que formam uma família, por mais absurda que pareça.

Alvin e os esquilos surgiram na TV, nos anos 1960 – há meio século. De lá para cá a técnica evoluiu muito, a ponto de hoje os esquilos parecerem de verdade, dotados de expressão e tudo. É a grande revolução que o digital tem propiciado aos diretores, e não apenas aos que trabalham com animação, mas, talvez, principalmente. Integrar animação e live action está cada vez mais aprimorado. Um bom exemplo é fornecido pelas cenas de canto e dança, tão bem executadas como nos melhores e mais acabados musicais.

Na trama do novo filme, Dave viaja com a namorada para Las Vegas. Ela tem um filho que, de cara, implica com os fofinhos. Alvin e os esquilos vão fazer de tudo para impedir Dave de se ‘declarar’, pedindo a noiva em casamento. A todas essas, os esquilos fogem de casa, e da cuidadora, mas descobrem que uma infração cometida a bordo de um avião os tornou indesejáveis – é uma das questões essenciais da segurança do mundo moderno. Desde que terroristas suicidas lançaram aviões contra o World Trade Center não se brinca com o assunto – não se brincava, até Alvin 4.

Há um vilão na história e é o agente de segurança da companhia aérea, que persegue os esquilos para prender. Alvin, os amigos e o garoto caem na estrada. Aprontam todas. Durante o processo, o jovem e os esquilos resolvem suas diferenças e Dave consegue se declarar sem que os esquilos corram o risco de se sentir abandonados. O target de Na Estrada é a família, sua consolidação. O bom e velho melodrama. Parece tolo, mas preste atenção. Uma família com esquilos humanizados não difere tanto de outras famílias (pós) modernas que o cinema vem celebrando, em nome da diferença. Pais e pais, mães e mães, soropositivos, não importa o ‘problema’. O entendimento é possível.

E aqui é. Até a autoridade repressora, contra a qual um certo Carlitos já se insurgia em comédias no tempo do cinema mudo, termina driblada pela inteligência dos esquilos. E tudo termina no melhor dos mundos – exceto pelo fato de que Alvin 4 – Na Estrada deixa a porta aberta para mais uma aventura, a quinta. Alvin e seus amigos vão continuar aprontando – enquanto houver público para a série. OK, os críticos vão continuar reclamando – podiam pelo menos elogiar a técnica.

E não só a técnica. Pois tudo isso é uma imensa brincadeira de cinema, onde entram os números com as esquiletes e as citações a outros filmes, como o clássico (de terror) O Iluminado, de Stanley Kubrick. Talvez, nessa extravagância toda, o aspecto mais surpreendente seja a presença de John Waters como um passageiro de primeira classe no malfadado voo de Alvin e os esquilos. Nos anos 1960, Waters, o rei do punk, era o terrorista de Hollywood, fazendo com que a travesti Divine comesse (de verdade) excrementos de cães em Pink Flamingos.. Era a sua maneira de confrontar o público e os produtores com o outro, o diferente. Waters foi para a primeira classe, o outro, hoje, é um esquilo falante (e cantante, e dançante). Quem vai atirar a primeira pedra, dizendo que o mundo e o cinema pioraram? A resposta está na trilha. Juicy Wiggle, com direito a participação de RedFoo, e... All You Need is Love! O que você precisa na virada de ano mé de amor. Cortesia de Alvin e dos esquilos.

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