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Almodóvar afirma que gostaria de ter tido filhos

Cineasta espanhol contou em entrevista que sente por não ter uma 'família como unidade emocional'

EFE

29 de agosto de 2011 | 19h17

MADRI (EFE) - O diretor espanhol Pedro Almodóvar volta a se revelar para o espectador em A Pele que Habito, seu 18º filme, no qual, utilizando os código do cinema de terror, emergem suas obsessões como o desejo e a dor maternal.

 

"Eu gostaria de ter tido filhos. Quando era jovem não tinha interesse ou essa necessidade animal de ser pai, mas a partir dos 42 anos me passou pela cabeça muitas vezes e agora sinto por não ter uma família. Família como unidade emocional, de cuidado e amor", confessou em entrevista à Agência Efe.

 

"Se todos os avanços atuais tivessem acontecido há 15 anos, é muito provável que tivesse filhos", acrescentou.

 

Em A Pele que Habito, a dor da perda de um filho volta a ser, assim como em Tudo Sobre Minha Mãe, um dos motes da tapeçaria emocional tecida pelo diretor.

 

Desta vez, por outro lado, tudo é filtrado pela mente do psicopata interpretado por Antonio Banderas, o doutor Robert Legdard, que perde a filha e a mulher.

 

"Sua leitura da realidade não tem nada a ver com a dos demais, e o faz chegar a limites de crueldade enormes, porque algo que define o psicopata é que algo falha em seu cérebro que não tem capacidade de se colocar no lugar do outro", resumiu Almodóvar.

 

Nesse perverso universo ao redor da sala de cirurgia na qual Banderas anestesia, disseca e sutura uma vingança que convém não revelar, o diretor espanhol também reúne as atrizes Elena Anaya, Marisa Paredes, Blanca Suárez e Jan Cornet, que o acompanharam nesta segunda-feira para apresentar o filme em Madri.

 

Almodóvar vai revelando seu filme paulatinamente, para que o espectador seja capaz de processá-lo em sua totalidade. "O gênero negro, o noir, o thriller e o terror psicológico me apaixonam como espectador. O cinema cada vez menos provoca esse tipo de sensações", declarou.

 

A bioética é agora o campo minado pelo que transita seu discurso provocador e moralmente complexo. "É maravilhoso que a ciência esteja avançando a passos gigantescos, mas há um montão de problemas morais que ajuda o próprio progresso", considerou.

 

A identidade de Almodóvar e sua peculiar e imprevisível abordagem do desejo não desaparecem em A Pele que Habito apesar de sua sobriedade. E ele mesmo reconhece que nas filmagens se sente como o deus de seu universo.

 

"Ser diretor de cinema te dá um enorme poder. É uma das profissões que mais poder te dão, que mais desculpas te dão para exercê-lo abusando sem ter que dar explicações. Mas eu trato as pessoas com respeito", ressaltou.

 

Atualmente, o diretor espanhol prepara um filme que será filmado em inglês. "Eu gerei o projeto. Não é algo que tenham encomendado. Os personagens são americanos e têm que falar inglês. Mas será um projeto europeu", explicou.

 

Além disso, Almodóvar continua trabalhando em uma adaptação que, pela primeira vez, o aproximará do tema da Guerra Civil espanhola. "Ainda tenho muitas histórias para contar", concluiu. EFE

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