"Alila" mostra o cotidiano de Israel em guerra

Israel de um jeito que você nunca viu. Em Alila, Amos Gitai coloca seu foco em um condomínio situado entre Tel-Aviv e Jafa. De certa forma, é um microcosmo da sociedade israelense, com seus conflitos e antagonismos condenados a conviver. No centro da história, uma questão espinhosa: o longo serviço militar obrigatório em um país que vive em guerra permanente. É essa historieta, entre tantas outras, que compõe o centro do mosaico proposto por Alila. O engenheiro Ezra e sua ex-mulher Mali se preocupam quando o filho, Elya, que está servindo ao exército, some. As opiniões divergentes do casal separado resumem o dilema mais geral: o cidadão deve servir ao seu país mesmo que não concorde com sua política, ou tem direito de seguir suas próprias inclinações? Alila começa e termina com os desdobramentos da história de Elya, mas, ao lado desse fio narrativo, outros se esboçam e se impõem. Temos o casal que usa o apartamento apenas para transar, uma policial histérica que depois se revelará corrupta, velhos solitários e maníacos que controlam a vizinhança, o empreiteiro que emprega trabalhadores chineses ilegais no país. Uma fauna variada, humana até a raiz. O olhar crítico de Gitai é agudo. Não perdoa o militarismo que domina a vida em seu país, o que tem lhe custado problemas freqüentes. Acusam-no de traidor, simplesmente porque faz obras que indicam a preferência por uma paz negociada no Oriente Médio. Alila mostra isso. As diferenças inarredáveis que passaram a conviver naquele espaço geográfico a partir de 1948 transformaram-no num barril de pólvora, como se usa dizer. Nem por isso setores mais ilustrados da sociedade israelense deixam de sonhar com a possibilidade de uma negociação de conflitos. Gitai, como artista, partilha essa opinião. Acha que a crítica não debilita um país, mesmo que ele esteja em guerra. Pelo contrário, o fortalece.Alila - Direção de Amos Gitai. Israel/2003. Duração: 121 minutos. Sexta, às 17h45, Cineclube Directv 1.

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