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Atriz revelação de 'Anna Karenina' tem quatro filmes prontos, um com Guy Ritchie

Alicia Vikander estreou em Blu-ray o recente ' O Agente da U.N.C.L.E'

Ian Spelling , THE NEW YORK TIMES

10 de agosto de 2015 | 04h00

Há poucos anos, Alicia Vikander dividia um pequeno apartamento na parte de Notting Hill onde residem os artistas, em Londres, com algumas amigas e muitos ratos, na época em que ainda buscava o sucesso como atriz. Agora, a sueca de 26 anos mora em casa própria na capital, e está no ápice do sucesso no mundo do cinema. Depois de vários papéis em filmes e seriados de TV em produções suecas, atuações aclamadas em Anna Karenina (2012) e O Amante da Rainha (2012) proporcionaram-lhe reconhecimento internacional. Hoje, ela tem vários filmes lançados recentemente ou prestes a estrear, entre eles Ex Machina (2015), um sucesso surpreendente estreado recentemente em Blu-ray, O Agente da U.N.C.L.E, The Danish Girl, Burnt, The Light Between Oceans e Tulip Fever. “Minha vida mudou muito”, disse Alicia numa conversa por telefone de sua casa. “Isso foi num determinado momento da minha vida, um momento maravilhoso. Éramos quatro garotas que moravam juntas em West London”.

Uma pessoa que viveu a infância na Suécia tem um padrão de vida. Mesmo sem dinheiro nenhum, está sempre asseada, Londres é muito diferente quanto a isto. “Duas das garotas com quem eu morava têm uma banda chamada Okona Pop, que fez muito sucesso pouco depois que começamos a morar juntas”, prosseguiu. “Portanto, toda esta mudança na nossa vida é muito estranha e excitante. Hoje posso me encontrar com o bando em outras partes do mundo. Elas costumam trabalhar em Londres, Nova York e Los Angeles, e eu sempre vou para estes lugares. “Quanto a mim, trabalho com pessoas que sempre admirei, eu as vi no cinema quando era bem jovem, e com diretores cujos filmes respeito muito. Agora, não só encontro com elas ou estou em seu quarto, e trabalho com algumas delas”, diz. “Às vezes, preciso me beliscar”. 

No dia 14 de agosto, estreará O Agente da U.N.C.L.E, baseado na série de TV dos anos 1960, com Guy Ritchie como corroteirista, além de diretor do filme. Ambientada naquela década, a comédia apresenta dois espiões, um americano chamado Napoleon Solo (Henry Cavill) e um russo, Ilya Kuryakin (Armie Hammer), que tentam frustrar uma organização terrorista global. Alicia é Gabby Teller, a filha de um cientista alemão desaparecido que Solo e Kuryakin têm ordem de encontrar. “Gabby não vê o pai há muitos anos, mas sabe-se que ele desapareceu, levado como refém por uma mulher chamada Victoria Vinciguerra (Elizabeth Debicki)”, explicou Alicia. “Então ela ajuda os dois espiões e inclusive aceita usar um disfarce”.

Alicia revelou os motivos pelos quais quis fazer O Agente da U.N.C.L.E. “Em primeiro lugar, gosto dos filmes de Guy, e estava interessada em ver como ele trabalha. Ele tem um estilo muito peculiar e um humor cáustico que me agrada. Gostei também porque eu não tinha feito esse tipo de grandes filmes de sucesso, que se baseiam mais na ação e têm mais humor. Foi uma enorme emoção”. “Estou sempre procurando coisas que me deixam nervosa, nas quais não sei como abordar o meu papel. Esta foi uma dessas situações. Nunca havia feito nada parecido, então quis tentar”. Gabby não é uma donzela desamparada, disse Alicia. Na realidade, ela é uma moleca e, nas primeiras cenas, a vemos trabalhar numa oficina mecânica. “Gabby cresceu num ambiente em grande parte masculino. Adorei isso. Nos últimos anos ficou comprovado que as mulheres podem estrelar grandes filmes de ação, e ambos os papéis femininos neste filme de fato carregam o enredo, além de serem extremamente fortes”. 

Ritchie, diretor entre outros de Porcos e Diamantes (2000), Rock’n’rolla (2008) e Sherlock Holmes (2009), é conhecido por improvisar em cima da hora, mudando os diálogos no meio de uma tomada e inclusive modificar de repente o que previa filmar em determinado dia. Alicia confirmou que a maneira como ele dirigiu O Agente da U.N.C.L.E reflete o que outros descreveram como a experiência peculiar de colaborar com Ritchie. “Ele está sempre disposto a mudar o diálogo no set. Queria que experimentássemos algumas coisas. Eu nunca tinha feito uma comédia antes. Fiquei muito entusiasmada com a ideia, mas também apavorada só de entrar no set e pensar: ‘Agora preciso tentar ser engraçada’. Fiquei muito nervosa pelo fato de experimentar coisas novas pela primeira vez na frente das pessoas.”

“Foi algo absolutamente fora do comum chegar no set na primeira semana. Guy disse: ‘Que tal se nós não falássemos o que está escrito no roteiro?’ Eu pensei: ‘Vou dizer alguma coisa e ele vai falar : Ah, não, não. A câmera ainda está gravando, Alicia. Acha que pode tentar mais uma vez? Venha aqui e diga algo engraçado’. Eu transpirava, e pensava: ‘E esta nem é a minha língua!’ Foi algo apavorante, mas havia sempre uma vibração gostosa, calorosa que, no fim, me senti à vontade tentando fazer alguma coisa e mesmo não conseguindo”, prosseguiu. “Você se dá conta de que é desta maneira que se descobre o que pode funcionar. E fomos em frente, todo mundo procurando coisas novas; acho que grande parte da química entre nós aconteceu graças à maneira como Guy trabalha”. Portanto, O Agente da U.N.C.L.E iniciará a série das próximas estreias de Tulip Fever, The Light Between Oceans, Burnt e The Danish Girl. 

Alicia – que poucas semanas depois desta entrevista, assinou o contrato para filmar com Matt Damon a próxima aventura da série Jason Bourne – deu algumas dicas sobre seus próximos projetos. “Em Tulip Fever, mais uma vez vou trabalhar com um roteirista impressionante, Tom Stoppard, que também foi o autor do script de Anna Karenina. Fiquei muito feliz com esta oportunidade, tive muito tempo e trabalhei com Judi Dench, Christoph Waltz e Zach Galafianakis. “Derek Cianfrance dirigiu The Light Between Oceans, com Michael Fassbender e Rachel Weisz. São pessoas fantásticas que admiro há muito tempo, e Derek é realmente um dos melhores diretores com quem a gente pode trabalhar. “Em The Danish Girl, Eddie Redmayne é notável. Ele atuou em A Teoria de Tudo (2014), e mais uma vez ele consegue uma transformação física e psicológica absolutamente incrível. É maravilhoso fazer parte de uma história que é própria deste momento”. Alicia aparece em apenas duas cenas em Burnt, com Bradley Cooper e Sienna Miller. Conseguiu espremê-las entre Tulip Fever e uma viagem à Nova Zelândia para começar as filmagens de The Light Between Oceans. “Minhas duas cenas são muito legais e bastante intensas”, disse. “Trabalhar com Sienna e Bradley foi muito divertido. Nunca fiquei tão nervosa como nesse filme: foi muita pressão chegar, fazer uma ou duas cenas e depois ir embora. Pensei: ‘Espero não estragar tudo’”. 

O último comentário me fez pensar: Será que Alicia tem realmente dúvidas a respeito do seu trabalho? Afinal ela já se afirmou, será que ela não merece trabalhar ao lado de Cooper, Dench, Redmayne, Weisz? “Fiz definitivamente um trabalho pesado”, respondeu. “Mas eu nunca desisti, e esta é a minha paixão. É o que me inspira: a vontade de fazer isto e de melhorar cada vez mais. “Estou ainda no começo da minha carreira, portanto, tudo é muito novo, original. Felizmente terei a chance de continuar trabalhando com estas pessoas. Mas às vezes tudo ainda parece meio surreal”.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


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