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Aliados de Woody Allen levantam dúvidas sobre suposto abuso

Ator Alec Baldwin, advogado e estúdio Sony vieram a público pedir que público não tome decisões precipitadas

Jake Coyle, AP

03 de fevereiro de 2014 | 16h10

Alguns aliados de Woody Allen saíram em sua defesa, levantando dúvidas sobre as renovadas acusações de sua filha adotiva, Dylan Farrow, que alega que o cineasta abusou sexualmente dela quando tinha 7 anos.

O advogado do cineasta, seu estúdio e sua relações públicas opinaram sobre a carta aberta de Farrow, publicada na internet no sábado pelo site do New York Times, na qual disse que, em 1992, na casa da família em Connecticut, Allen a teria levado a um armário escuro e abusado sexualmente dela. Farrow não especificou as ações de Allen, mas descreveu outro tipo de comportamente abusivo.

A relações públicas do cineasta, Leslee Dart, afirmou por e-mail no domingo que Allen havia lido a carta de Farrow. "O senhor Allen leu o artigo e o julgou falso e vergonhoso", disse, acrescentando que Allen rebateria os argumentos.

Elkan Abramowitz, advogado de Allen, disse: "É trágico que, depois de 20 anos, uma história maquinada por uma amante vingatica ressurja após ter sido completamente investigada e rechaçada pelas pelas autoridades independentes. A culpa pela aflição de Dylan não é nem de Dylan nem de Woody Allen". Allen foi investigado por abuso de menores em 1992, mas um caso nunca foi formulado.

A carta aberta de Dylan Farrow não pede novas ações legais, apenas um novo julgamento pela opinião pública. Farrow, que agora vive na Flórida, está casada e usa outro nome, e pede que os admiradores e astros dos filmes de Allen parem de fazer "vistas grossas".

No domingo, a Sony Pictures Classics, que distribui com regularidade os filmes de Allen, incluindo o mais recente, Blue Jasmine, pediu que o público não faça julgamentos precipitados. Esta é uma situação muito complicada e uma tragédia para todos os envolvidos", disse a companhia em um comunicado. "O senhor Allen nunca foi acusado em relação a isto, e, por isso, merece nossa suposição de inocência."

Ronan Farrow, o filho de Allen e Mia Farrow (o qual a atriz disse que Frank Sinatra pode ser o verdadeiro pai), tuitou no domingo: "Amo e apoio minha irmã e creio que suas palavras falam por si mesmas".

Alec Baldwin, que atuou em filmes de Allen como Blue Jasmine, esteve entre os citados na carta de Farrow, que perguntou: "E se tivesse sido sua filha?". Baldwin usou sua conta no Twitter para responder: "Estão enganados se acham que existe lugar para mim, ou para qualquer forasteiro, neste assunto de família".

A versão mais detalhada de Dylan Farrow sobre o suposto encontro de 1992 voltou a colocar fogo na investigação original da polícia. O manejo da investigação foi criticado logo que o fiscal do condado de Litchfield, Frank S. Maco, disse em uma coletiva de imprensa que acreditava existir uma "causa provável" para acusar Allen, mas que decidiu não fazê-lo para evitar um julgamento traumático para a menina.

Um painel disciplinário ditou que Maco poderia ter sido parcial na batalha de custódia em curso entre Allen e Mia Farroe ao fazer uma acusação sem cargos formais. Meses antes da coletiva de imprensa de Maco, uma equipe de especialistas em abuso de menores do Hospital Yale-New Haven foi trazida para examinar o caso e concluiu que a menina não havia sido molestada.

Maco, que foi jubilado em 2003, afirmou no domingo que o prazo para as acusações de Dylan Farrow venceu há ao menos 15 anos. Disse que espera que Farrow possa ver sua coletiva de imprensa e ler a declaração sobre sua decisão de não processar Allen. "Espero que tenha acesso a essa declaração para que saiba o que disse e os motivos pelos quais o fiz. Espero que encontre paz neste momento."

Um porta-voz da Divisão de Justiça Penal de Conecticut afirmou no domingo que o escritório do fiscal não reavaliará o caso a menos que receba uma solicitação.

Os acontecimentos de 1992 se produziram pouco depois de Allen se envolver com a filha adotiva de Mia Farrow, Soon-Yin Previn. Allen, então um cinquentão, não era o pai adotivo de Previn, que tinha 19 anos. Ambos se casaram em 1997 e têm duas filhas adotivas.

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