'Alguém que me Ame de Verdade' discute amizade e casamento

Comédia dramática reúne judia ortodoxa e muçulmana que enfrentam pressão por casamento arranjado

REUTERS,

09 de janeiro de 2008 | 20h23

Dirigida pela dupla Diane Crepo e Stefan Schaefer (autor do roteiro), a comédia dramática Alguém que me Ame de Verdade coloca em primeiro plano a amizade entre duas moças, uma judia ortodoxa, outra muçulmana, as duas enfrentando pressão por casamentos arranjados. O filme estréia em São Paulo e Rio de Janeiro.   Veja também:  Trailer de 'Alguém que me Ame de Verdade'    A atraente dupla principal é formada pela judia ortodoxa Rochel (Zoe Lister Jones) e a muçulmana Nasira (Francis Benhamou). As duas lecionam na escola primária Ditmas Park, no Brooklyn novaiorquino, um espaço de alunos e professores multiétnicos e multiculturais. Independentemente da religião diferente, tornam-se bastante amigas. Cena do filme que retrata amizade entre judia e muçulmana. Foto: Divulgação   Jovens e bonitas, as duas são bem religiosas e comportadas, aceitando à primeira vista a obrigação de casar-se por arranjo familiar, dentro da própria comunidade.   Sempre coberta da cabeça aos pés, com camisas abotoadas até o pescoço e saias compridas, Rochel, de 22 anos, é a caça do momento das casamenteiras de sua comunidade, que selecionam os melhores partidos para ela.   Tudo o que se espera dela é marcar encontros dentro desta lista, casar e começar logo a ter filhos. Como ela não está gostando de nenhum dos pretendentes, começa a ser duramente pressionada, especialmente pela mãe (Mimi Lieber).   A família muçulmana é mais suave. Mas também arranja um pretendente feio, gordo, rico e 20 anos mais velho para a bela Nasira. Ela recusa, e o pai (Laith Nakli) mostra-se totalmente conciliador. Aí, aparece um candidato jovem, bonito e bom partido, que torna tudo bem mais fácil para todos.   O mundo exterior a esse rigor religioso dos dois lados é sempre mostrado comum certo viés. A diretora da escola (Marcia Jean Kurtz), única a levantar objeções ao que vê como excessiva devoção das duas professorinhas, é apresentada como uma pessoa caricata, que menciona o feminismo às duas com impressionante falta de tato. Não será a última vez que se comportará assim.   Leah (Alysia Reiner), uma prima de Rochel que fugiu do sufoco ortodoxo, parece uma personagem positiva e livre. Mas, quando leva a prima, em crise passageira com seus valores, a uma festa, a situação apresenta-se igualmente caricatural.   Na festa, só há pessoas abusando de bebida ou drogas e homens pressionando Rochel que, compreensivelmente, foge de volta.   O que o filme parece defender é o direito da manutenção das tradições religiosas, quaisquer que elas sejam. Assim sendo, o que se vê é um mundo fechado em si mesmo, com pessoas simpáticas, famílias felizes e onde fica em segundo plano o fato de que as moças não têm realmente uma escolha livre de "alguém que as ame de verdade" - o infeliz título brasileiro, que não combina com a história.   (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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