EFE/Luis Enrique Granados
EFE/Luis Enrique Granados

Alfonso Cuarón diz que xenofobia no México é similar à de Trump

Cineasta compara preconceito de seus conterrâneos em relação aos hondurenhos à intolerância do presidente dos Estados Unidos com os imigrantes do México

EFE

25 Outubro 2018 | 19h14

MORELIA (México) -  O diretor de cinema Alfonso Cuarón equiparou a xenofobia com relação aos imigrantes hondurenhos no México à do presidente Donald Trump no caso dos mexicanos nos Estados Unidos.

“Por estarem cruzando a fronteira ilegalmente, é ruim esse comportamento, é o mesmo que quando Trump afirma que todos nós somos criminosos, estupradores e assassinos. São exatamente os mesmos comentários que as pessoas estão fazendo quando se referem à caravana de imigrantes”, disse o diretor.

Ao apresentar seu filme Roma no Festival Internacional de Cinema de Morelia, Cuarón disse que esse tipo de atitude contra imigrantes, sem precisar sua origem, são evidência do racismo que prevalece na cultura mexicana.

Algo difícil de aceitar por nós que vivemos neste país, embora seja óbvio e se percebe “nas ruas todos os dias”, afirmou Cuarón, vencedor do Oscar de melhor diretor em 2014.

“Custa muito trabalho culturalmente, não digo individualmente, porque seria generalizar, aceitar esse enorme problema que é o racismo neste país”, acrescentou.

Em Roma, Cuarón faz um retrato das famílias mexicanas na década de 1970 narrando a história de uma empregada doméstica de origem indígena e a questão das diferenças de classe e procura rever o passado do México.

O filme foi produzido pela Netflix e rodado na Cidade do México e considerado o mais pessoal do cineasta, que se inspirou na sua infância.

Ao ser questionado sobre suas expectativas com a transição política por que passa o México com a chegada em breve de um presidente de esquerda, Cuarón afirmou que tem “esperanças” de que ocorram mudanças profundas no país.

“Claro que estou esperançoso, e quero ter esperança, esperemos que seja de fato uma transição, uma reforma e não sejam apenas mudanças de forma, porque o país necessita de mudanças substanciais”, disse ele.

Segundo ele, esta mudança “é uma conseqüência de todos os movimentos que se converteram em cicatrizes durante décadas” de história mexicana, desde a revolta dos trabalhadores ferroviários em 1958 até o levante zapatista em 1994.

O filme Roma ganhou recentemente o Leão de Ouro no Festival de Veneza e representará o México nos prêmios Oscar e Goya.

Alfonso Cuarón disse que a película teve um “processo estranho”, pois além de ter de revisitar seu passado é o filme em que sua única ferramenta de investigação foi sua própria memória, diferente de outros  em que contou com assessores de pesquisa.

O Festival internacional de Cinema de Morelia conferiu a Cuarón o prêmio de reconhecimento pela excelência artística durante a cerimônia de estréia do seu filme.

Durante nove dias o Festival de Morelia vai reunir diretores, produtores e atores do México e de outros lugares, quando serão projetados dezenas de filmes da seleção oficial, outros em estréia internacional,  além de homenagens a realizadores nacionais e estrangeiros.  /Com EFE. Tradução de Terezinha Martino

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