Alemanha festeja seu segundo Oscar

Houve quem não foi à festa do Oscar para protestar contra a guerra. Razão muito mais singela teve a vencedora do Oscar de melhor filme estrangeiro, a alemã Caroline Link, que não viajou de Munique para Hollywood porque sua filha de oito meses estava doente. A cineasta garante que se não fosse pela doença da menina, teria ido ao Oscar mesmo tendo postura crítica em relação aos Estados Unidos. Pelo Oscar que ganhou com Nowhere in Africa, Caroline disse que está "enormemente feliz"."Vi a cerimônia em casa pela TV e, claro, bebi a este sucesso", disse a diretora. Ela recebeu um telegrama da mais alta autoridade de seu país, o chanceler Gerhard Schroeder. "Você foi condecorada por Hollywood", disse Schroeder. Motivo para festejá-la não falta: este é apenas o segundo Oscar do cinema alemão. O primeiro foi com O Tambor, de Volker Schloendorff, em 1980.Caroline Link, que tem 38 anos, é crítica em relação à decisão dos Estados Unidos em ir à guerra contra o Iraque. "Eu não gosto da América neste momento, esse alto percentual de pessoas concordando com a política do presidente, acho isso um retrocesso." Apesar disso, e talvez por causa da posição alemã contra a deflagração do conflito, o produtor do filme tentou dar relevo aos méritos do filme. "Embora a cerimônia tenha sido assombrada pela guerra no Iraque, estou feliz que o trabalho de Caroline e da equipe tenha sido honrado em Hollywood."Nowhere in Africa é um drama sobre uma família de judeus alemães que deixam seu país antes da Segunda Guerra Mundial e se instalam uma fazenda no Quênia. A história foi adaptada do livro autobiográfico da também alemã Stefanie Zweig, que leva o mesmo nome do filme. Caroline Link não é uma estreante no Oscar. Ela foi indicada à categoria de filme estrangeiro em 1998 com Beyond Silence, a história de uma menina que larga seus pais surdos para seguir uma carreira musical. Naquele ano, ela perdeu para Roberto Benigni, de A Vida É Bela. O triunfo de Caroline Link no Oscar renovou as esperanças de Stefanie Zweig, autora do livro base do filme, em ver sua obra traduzida para o inglês.

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