CARL COURT / AFP
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Alan Parker, diretor de 'Evita' e 'Pink Floyd: The Wall', morre aos 76 anos

Filmes do cineasta venceram 10 Oscars; ele foi nomeado cavaleiro pela coroa britânica em 2002

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2020 | 14h54
Atualizado 31 de julho de 2020 | 16h27

O diretor inglês Alan Parker morreu nesta sexta-feira, 31, aos 76 anos, depois de um longo período convalescendo. O cineasta assinou diversos filmes conhecidos, como o musical Evita (1996), com Madonna e Antonio Banderas, Mississippi em Chamas (1988), e O Expresso da Meia Noite (1978), com roteiro de Oliver Stone. Ele também foi o diretor do filme Pink Floyd: The Wall (1982).

Indicado duas vezes ao Oscar de melhor diretor, o cineasta viu seus filmes ganharem 10 estatuetas na principal premiação do cinema americano. Em 2002, ele foi nomeado cavaleiro pela coroa britânica, passando a ser denominado Sir Alan Parker.

Ele deixa a esposa, Lisa Moran-Parker, cinco filhos e sete netos. Um comunicado da família divulgou a notícia desta sexta.

Fundador do Sindicato dos Diretores da Grã-Bretanha, Parker também foi diretor do UK Film Council e do British Film Institute, que usou as redes sociais para lamentar a morte.

 


Outros artistas, colegas de profissão e fãs também se manifestaram no Twitter.

 


 


Nascido em Londres, em 1944, Parker começou a carreira escrevendo anúncios publicitários, assim como outros colegas de geração que se tornaram cineastas de sucesso, como Ridley Scott e Adrian Lyne. Ainda jovem, ele se moveu para a direção. Em 1974, com o telefilme The Evacuees, ele ganhou o primeiro dos seu sete Baftas, o principal prêmio da indústria britânica, e também um Emmy Internacional.

Entre seus outros filmes, estão Fama (1980), The Commitments - Loucos pela Fama (1991) e A Vida de David Gale (2003), com Kevin Spacey e Laura Linney, seu último trabalho atrás das câmeras.

Em 2008, Parker veio ao Brasil para ser presidente do júri internacional de filmes de ficção em competição no 5.º Amazonas Film Festival – Aventura, Natureza e Meio Ambiente, realizado em Manaus. Na ocasião, o diretor passou a noite num hotel no meio da selva, onde se divertiu na festa do boi-bumbá e foi alimentar os botos cor-de-rosa, uma das grandes atrações do turismo na Amazônia.

Em conversa com o jornalista e crítico do Estadão, Luiz Zanin Oricchio, Parker se mostrou “um tipo bonachão, sempre prestes a uma tirada de humor”. Na entrevista realizada em um barco subindo o Rio Negro, publicada no jornal em novembro daquele ano, o diretor falou também sobre outra paixão sua, o futebol. 

“Tive o prazer de ouvir o meu nome citado pelo locutor da emissora”, disse, sobre um jogo entre Arsenal e Manchester United, no dia anterior. O diretor havia colocado uma condicional ao convite para presidir o júri – queria ter certeza de que não perderia os jogos da Liga Inglesa enquanto estivesse fora dos domínios do seu país.

Ele também comentou não gostar muito dos filmes feitos sobre o universo do futebol. “Você pode imaginar Eddie Murphy interpretando Ronaldinho Gaúcho?”, perguntou.

Depois de filmar uma média de um filme a cada dois anos entre 1976 e 1991, o diretor diminuiu o ritmo dali para frente, muito envolvido com as políticas do audiovisual no Reino Unido. “Dirigi durante sete anos o British Film Institute (BFI), o instituto do cinema inglês, e isso toma um tempo danado da gente”, contou, em 2008.

Na época, ele comentou estar terminando o roteiro de um novo projeto, que pretendia filmar em 2010, The Ice at the Bottom of the World, inspirado em um livro do escritor americano Mark Richard, mas a ambição nunca veio a público. Seu último crédito no cinema foi o de produtor executivo do filme Dad’s Army (2016).

Veja trailers de filmes de Alan Parker:

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