Al Pacino estreia dois filmes no Festival de Toronto

Com 'Manglehorn', de David Gordon Green, e 'The Humbling', de Barry Levinson, ator mostra como está expandindo seu legado

Jake Coyle, Associated Press

10 Setembro 2014 | 13h05

TORONTO - Introduzindo um dos dois novos filmes de Al Pacino no Festival de Cinema de Toronto, o diretor Cameron Baily assinalou que o "Dia Pacino" foi bem, assim como tinha sido para Bill Murray.

Com 74 anos, Pacino estreou seu novo lote de trabalhos no Festival, dois filmes em que ele explora o arrependimento, ambições e problemas da velhice. Em Manglehorn, de David Gordon Green, ele faz um serralheiro solitário do Texas, em luto por um romance acabado. Em The Humbling/A Humilhação, adaptação de Barry Levinson do romance de Philip Roth, Pacino é um ator de teatro envelhecido e desinteressado na atuação.

"Envelhecer parece que ganhou uma má reputação", disse o ator em uma entrevista. "Tipo, o que fazer agora? Se alguém diz o quanto você é velho, é como dizer quanto tempo resta. Eu não posso responder a essa pergunta."

Pacino tem estado particularmente ocupado nos últimos anos, mostrando a mesma curiosidade para personagens mais velhos que ele demonstrou para suas atuações antigas, de personagens novos ou de meia idade.

"Nós crescemos de jeitos muito diferentes, e se você escutar seus ciclos ou sentir, isso toma conta", diz. "Muitas vezes eu não percebi, mas agora sim. Essas coisas que estou fazendo são expressões disso. Estou tentando estar ciente disso. Eu acho que posso entrar neste mundo. Há coisas que eu não faria agora que faria há 20 anos", continua.

Manglehorn não tem distribuição comercial, mas já rendeu a Pacino críticas entusiasmadas. O The Guardian disse que essa foi "a melhor performance de Pacino em anos". É um filme que evidencia o permanente interesse do ator na experimentação. Ele não está apenas cimentando seu legado, está o estendendo.

Ele foi filmado nos intervalos de The Humbling, que deve sair em novembro nos EUA, um projeto que Pacino começou por si mesmo, comprando os direitos do romance.

"Nós tivemos essa janela de tempo para fazer, e eu sabia que se deixássemos passar, David não faria o filme", diz Pacino. "Cuja ideia eu adorei, porque ele o escreveu para mim."

Green, diretor de George Washington e Segurando as Pontas, começou a ponderar um filme com Pacino depois de encontrar o ator em um evento. Ele diz ter visto em Pacino algo que previamente não tinha sido capturado em nenhum de seus filmes, e pediu a seu amigo, Paul Logan, para escrever um roteiro para eles.

Poucos atores são mais conhecidos por sua dramática grandeza do que Pacino. Mas em Manglehorn ele é taciturno e hermético, com sintomas da Síndrome de Asperger. E ele está com o coração partido: "Não tenho nada além de frustração e desapontamento", escreve em uma das cartas ao seu amor perdido no filme.

Manglehorn é um tipo de conto de fadas surreal que junta cenas absurdas com uma graça construída de maneira demente. Devagar e de um jeito estranho, Angelo Manglehorn abre as portas de si mesmo.

Diferente do seu personagem em The Humbling, a paixão de Pacino pelo atuação continua a toda, assim como sua boa vontade com os diretores. Pacino - lenda do cinema americano - hesita quando, num dos momentos inexplicáveis do filme, Green faz ele sentar num tronco de árvore com um gato?

"Há tempos eu desisti de ir contra", afirma o ator. "David vai fazer o que ele faz e ele tem razões para isso. Isso é o que você precisa confiar, e eu tenho total confiança nele. Você não questiona. É assim que ele pinta."

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