'Ainda Orangotangos' realiza desafio técnico em filme

Produção de Gustavo Spolidoro traz histórias que ocorrem em Porto Alegre, baseadas em contos de Paulo Scott

REUTERS

08 de setembro de 2004 | 13h00

Curta-metragista premiado, o cineasta gaúcho Gustavo Spolidoro decidiu que seu primeiro longa-metragem, Ainda Orangotangos, seria realizado com um desafio técnico: ser feito num único plano-seqüência, ou seja, sem cortes, em seus 81 minutos de duração. O filme estréia nessa sexta-feira, 5, em São Paulo.  Veja também:   Trailer de 'Ainda Orangotangos   Para que Ainda Orangotangos pudesse ser concretizado, a produção teve que ser extremamente planejada, já que a filmagem ocorreu, em boa parte, nas ruas de Porto Alegre e dentro de ônibus, acompanhando a mudança de luz entre amanhecer e anoitecer. O roteiro, do próprio Spolidoro e de Gibran Dipp, adaptou seis contos do escritor gaúcho Paulo Scott. Nessas diversas histórias que se cruzam, uma seguindo a outra sem uma ligação direta a não ser acontecerem na mesma cidade, passa-se por todo tipo de situação, do drama à comédia. Na primeira delas, um casal de namorados de origem japonesa viaja no metrô. Os dois dormem. Até que, quando vão descer, o rapaz descobre que a garota está morta. Ou parece estar. A câmera segue esse rapaz até o mercado - o Mercado Central de Porto Alegre -, onde ele vende um relógio a um menino. A câmera acompanha esse menino dentro de um ônibus, onde acontece talvez a discussão mais engraçada do filme. O diálogo ocorre entre duas mulheres que fazem uma estranhíssima ligação entre as visitas do papa a Porto Alegre e as vitórias no campeonato estadual dos dois principais times locais, o Grêmio e o Internacional. Torcedor do Internacional, o cineasta realizou também um documentário sobre a vitória de seu time no campeonato mundial da Fifa, Gigante - como o Inter Conquistou o Mundo. Lançado em 2007 em cinema e DVD, este documentário foi filmado depois de Ainda Orangotangos que só chega às telas agora, depois de passar por Festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival de Lima, onde recebeu o prêmio de melhor filme de diretor estreante. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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