Frederic J. BROWN / AFP
Frederic J. BROWN / AFP

‘Ainda há muita injustiça salarial’, diz Michelle Williams, que estrela o filme Venom

Indicada quatro vezes para o Oscar, ela diz que se sentiu “intimidada, mas entusiasmada” ao aceitar o desafio de fazer Venom, filme baseado no popular personagem dos quadrinhos da Marvel

Antonio Martín Guirad, EFE

04 Outubro 2018 | 06h01

Michelle Williams, uma das rainhas do cinema independente de Hollywood, fala da primeira superprodução de sua carreira, Venom. Embora sua personagem reflita o movimento #MeToo, ela tem consciência de que “ainda é preciso muito” para diminuir a desigualdade salarial.

Indicada quatro vezes para o Oscar, ela diz que se sentiu “intimidada, mas entusiasmada” ao aceitar o desafio de fazer Venom, filme baseado no popular personagem dos quadrinhos da Marvel.

“Queria comprovar se conseguiria sobreviver num tanque enorme, com outras espécies de peixe nadando a meu lado, em lugar de ficar em meu mundinho no qual estão meus amigos e me sinto sempre confortável e segura”, explica a atriz de 38 anos. 

“O importante para mim é que minha personagem, a advogada Anne Weying, não é um clichê”, diz a atriz. “Vivemos num tempo em que, ao ligar o rádio, ouvimos atrizes e cantoras falando de seu valor e cobrando reconhecimento por parte dos homens. Quis basear minha personagem nisso. Anne conhece seu valor e quer ver isso reconhecido. Ela ama Eddie, mas deixa-o por ter sido traída”, afirma. “Era importante que a história transcorresse num contexto atual, em tempos de #MeToo”, avalia Williams

Após uma carreira cheia de filmes indies, Williams começou aos poucos a aceitar propostas de grandes estúdios, como mostram os recentes O Rei do Show, I Feel Pretty e Todo o Dinheiro do Mundo – filme que a colocou em plena polêmica sobre a desigualdade salarial.

Em janeiro, o jornal USA Today revelou que Mark Wahlberg cobrou US$ 1,5 milhão para rodar novas cenas do filme após a saída de Kevin Spacey e a vinda de Christopher Plummer. Já Williams recebeu menos de US$ 1 mi pelo mesmo tempo de trabalho.

“Mulheres de outras áreas me agradeceram porque meu caso trouxe o assunto à tona. Elas se viram refletidas nessa injustiça e ganharam forças para falar sobre a desigualdade nos próprios seus locais de trabalho. É ótimo saber que dei início a essa discussão, mas ainda há muito que melhorar”, afirma. Para a atriz, a reação é parte de uma abordagem muito maior, o movimento #MeToo, que alcança todos os níveis sociais.

“Sinto que estou crescendo, mas conheço minhas limitações. Quero melhorar e procuro papéis que me permitam evoluir”, afirma. “A verdade é que tenho mais vontade de trabalhar com gente de fora que com americanos.”

(TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ)

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.