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'Água para Elefantes':paquiderme rouba cena de Pattinson

Trama se passa na época da Grande Depressão, o que garante uma direção de arte atrativa

REUTERS

28 Abril 2011 | 17h55

Em Monstros, um dos melhores filmes sobre circo e a condição humana, as criaturas do título têm uma frase-pronta toda vez que chega um novo companheiro: "Nós o aceitamos como um de nós".

Em Água para Elefantes, filme soporífero baseado em romance de mesmo nome, o elenco do circo não recebe Robert Pattinson (o eterno Edward Cullen de Crepúsculo) com uma frase tão encorajadora. Ainda assim, ele encontra conforto nos braços de uma bela amazona e na tromba de uma elefanta.

Escrito por Richard LaGravenese a partir do romance de Sara Gruen, e dirigido por Francis Lawrence (que tem em seu currículo Eu Sou a Lenda, Constantine e vídeos de Jennifer Lopez e Britney Spears), as possíveis qualidades e os visíveis defeitos de Água para Elefantes residem no mesmo ponto: a vontade de ser um cinemão à moda antiga.

Em Água para Elefantes tudo é arrumadinho. Tanto nas imagens, quanto na narrativa, não há uma vírgula fora do lugar. Seus personagens são rasos, estão mais para tipos do que seres humanos e a história de amor é previsível e monótona. Por isso, sobra para uma elefanta gigantesca, Rosie, brilhar em cena. E ela consegue.

A história é contada por Jacob (Robert Pattinson), décadas após de ter abandonado a escola de medicina veterinária depois da morte dos pais, juntando-se a um circo itinerante.

Nessas cenas, ele é interpretado pelo veterano Hal Holbrook. Mas nos flashbacks, ou seja, na maior parte do filme, é Pattinson, tentando livrar-se do estigma do vampiro de Crepúsculo, quem assume o personagem.

Ao chegar ao circo, Jacob ganha a confiança do dono, August (Christopher Waltz, de Bastardos Inglórios), mas também se apaixona pela mulher dele, Marlena (Reese Whiterspoon), a grande estrela dos espetáculos, uma amazona cujo maior talento é montar seu cavalo sem sela.

A amizade entre Jacob e Rosie desenha-se aos poucos, mais forte e mais interessante do que o romance - especialmente porque Pattinson tem mais química com a elefanta do que com a atriz, cuja personagem é um tanto apagada, sem muitas nuances.

Mas Lawrence nem sempre se dá conta disso e conduz a narrativa entre o trabalho no circo e a paixão morna dos protagonistas. Nem Waltz, cujo talento - especialmente para vilões - ficou demonstrado em Bastardos Inglórios, é capaz de superar as limitações do seu personagem ou da direção.

A trama passa-se na época da Grande Depressão, o que garante uma direção de arte atrativa, assinada pelo veterano Jack Fisk, que foi capaz de criar um circo, cujo colorido e brilho nem sempre escondem a melancolia dos tempos de dificuldade financeira.

Nada disso consegue compensar os acontecimentos mal explicados do filme, como seu clímax envolvendo uma fuga em massa.

A narração monotônica na voz de Pattinson e o pudor do filme para contar a história como merece transformam Água para Elefantes num passatempo desprovido de charme ou interesse.

Lawrence podia ter transformado Rosie no centro da trama, aproveitando assim o carisma do animal. Da mesma forma que há quase 80 anos Tod Browning acreditou nos seus monstros e deixou que o filme fosse deles - o que, até hoje, é algo memorável. (Alysson Oliveira, do Cineweb)

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