Agora, Pimentel acredita que o 'Tropa' pode levar o Oscar

Roteirista que inspirou capitão Nascimento diz ter levado susto porque não esperava premiação

Kelly Lima, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 14h42

Refeito do "susto", o capitão Rodrigo Pimentel, autor do livro e co-autor do roteiro de Tropa de Elite, afirmou que está otimista com a perspectiva de um outro prêmio pela frente. Para ele, a vitória em no Festival de Berlim, Tropa de Elite levou o Urso de Ouro, faz com que o longa dispare na frente das apostas para o Oscar de 2009. "O filme volta agora para os cinemas no Brasil, vai ser distribuído lá fora e isso deve dar uma boa visibilidade para que ele chegue na disputa ao Oscar com fortes chances", disse.   Veja Também:   Prêmio é vitória para diretores brasileiros, diz Padilha Urso de Ouro é visto como desforra após críticas Além de 'Tropa', mais três brasileiros levam prêmios em Berlim Opine: Você acha que 'Tropa de Elite' mereceu ganhar? Confira os vencedores do 58º Festival de Berlim  José Padilha fala à TV Estadão sobre ‘Tropa de Elite'  Trailer do filme Tropa de Elite 'Tropa de Elite', um fenômeno do cinema nacional 'Tropa de Elite' bomba na internet até depois de lançado Produtora estrangeira quer Tropa de Elite como minissérie   Pimentel não esperava a vitória na disputa pelo urso de Ouro em Berlim. "Houve o problema com a tradução, uma voz feminina teve que fazer a narração. Isso certamente prejudicou muito. Além disso, tinha vários filmes bons concorrendo na Mostra. A gente estava preparado para não ganhar."   De férias em Florianópolis, Pimentel - consultor de segurança desde que deixou o Bope em 2000 - recebeu a notícia da premiação em um telefonema de José Padilha, diretor do filme. "Ele estava muito emocionado e também surpreso com a premiação", disse.   Para o ex-capitão, que inspirou o marcante capitão Nascimento, personagem vivido por Wagner Moura, o prêmio também esteve um pouco ameaçado por conta da reação do público. "O pessoal que viu repetiu o discurso de que o filme é engajado numa questão política fascista. Isso fez com que a gente ficasse desacreditando. Só de participar já estava bom", disse Pimentel, que se envolveu diretamente com a preparação dos atores durante as filmagens para que o longa se aproximasse "o máximo possível da realidade do Bope".   Para ele, a premiação muda "completamente" essa visão sobre Tropa de Elite. "O colegiado de críticos europeus foi bastante sensível ao tema, ao filme propriamente dito, e este reconhecimento com certeza tira de cena o estigma de qualquer sombra de fascismo que possa ter recaído sobre a narrativa anteriormente", disse.   Foi de um contato entre Pimentel, que entrou para a polícia aos 18 anos, e o cineasta João Moreira Salles, que surgiu a idéia do filme. Ele estava acompanhando o depoimento de colegas para a produção de "Notícias de uma Guerra Particular", quando virou personagem do documentário. Por intermédio de Moreira Salles, durante a produção do documentário Ônibus 174, sobre o seqüestro de um ônibus no Jardim Botânico, em 2000, Pimentel foi apresentado a Padilha, e comentou que tinha interesse em escrever um romance de ficção sobre a polícia do Rio, com base em relatos de amigos e na sua própria experiência no Bope. Em 2005, com o roteiro do filme já em andamento, Pimentel escreveu o livro Elite da Tropa, que, segundo ele, foi apenas seu primeiro sobre o tema.

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