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Agnès Varda mantém-se firme na preservação da memória do marido e diretor Jacques Demy

Cineasta foi homenageada na Mostra Internacional de Cinema deste ano

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2017 | 21h16

Homenageada da Mostra, Agnès Varda, que completa 90 anos em 2018, não veio buscar seu Prêmio Humanidade, mas se fez representar por uma retrospectiva que mobilizou os cinéfilos. Formada por 11 títulos - todos restaurados -, essa retrospectiva podia ser incompleta, mas certamente ajudou a resgatar uma das grandes cineastas vivas em atividade no mundo.

Em maio, Varda já havia recebido uma Palma de Ouro especial em Cannes. Ela é certamente autora de uma obra admirável (Cléo das 5 às 7, As Duas Faces da Felicidade, Os Renegados, com Sandrine Bonnaire como uma jovem sem-teto), mas tem se dedicado também a uma tarefa sagrada. Desde que Jacques Demy morreu, em 1990, Varda tem sido incansável na preservação de seu legado, a oficiante do culto. Jacquot de Nantes é sobre a infância de Demy na oficina do pai, em Nantes. O menino que adorava cantar fez musicais que influenciaram até Hollywood - o vencedor do Oscar deste ano, La La Land (no Brasil, Cantando Estações), o filme mais ‘demyniano’ que Demy não realizou.

A repescagem recupera nesta sexta, às 15 h, no Cinesesc, O Universo de Jacques Demy. Só como curiosidade, seu longa de 90 minutos será a sessão de número 2028 da 41.ª Mostra. Anteriormente, o filme foi programado e cancelado - a própria Renata de Almeida admitiu os problemas criados pelo DCP, o formato digital que invadiu o evento. Se, por um lado, a projeção digital tende a ser tecnicamente mais perfeita, também depende, por questões de segurança, de uma chave. Como o filme de Varda sobre o ex-marido, O Terceiro Assassinato, do japonês Hirokazu Kore-eda, também foi vítima dessa chave e teve sessões canceladas.

Em seu documentário Os Catadores e Eu, de 2000, Varda faz uma analogia entre frutas colhidas das árvores ou recolhidas do chão e o próprio ato de filmar. Como diretora, ela cata imagens como outros catam frutas. É uma catadora. Reencenadas ou garimpadas dos filmes, ela tem catado muitas imagens emblemáticas do cinema de Demy. Tiveram dois filhos, amavam o cinema hollywoodiano - especialmente as comédias musicais, com seus planos de longa duração e os travellings elegantes. O Universo de Jacques Demy estrutura-se em três cartas lidas por fãs. Demy amava Luchino Visconti, Max Ophuls, Orson Welles e Vincente Minnelli. Varda ama até hoje, decorridos quase 30 anos de sua morte, Demy. O homem, o artista.

AS DICAS DO DIA

Aos Teus Olhos

O longa de Carolina Jabor recebeu o Prêmio Petrobrás de Cinema, e os R$ 200 mil vão ajudar no lançamento. O protagonista, Daniel de Oliveira, de qualquer maneira, já deve funcionar bastante como chamariz de público. Ele faz instrutor de natação destruído pela mãe de um de seus aluninhos, que o acusa de abuso nas redes sociais. Às 16h50.

The Square

O sueco Ruben Ostlund ganhou a Palma de Ouro por esse filme que também discute a arte contemporânea. A crítica divide-se - forte, ou cínico? Às 20h45.

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