"Ágata e a Tempestade" faz sonhar com a felicidade

Ágata e a Tempestade é o terceiro filme de Silvio Soldini que chega ao Brasil. A personagem-título é interpretada pela mesma Licia Maglietta que fazia a dona de Pão e Tulipas, o primeiro filme de Soldini que fez sucesso, com a história da dona de casa que se perde do marido na estrada e, abandonada, resolve dar vida ao antigo sonho de morar em Veneza. O segundo, Queimando no Vento, não fez o mesmo efeito, embora ficasse no tema preferencial do diretor, o da segunda chance. Veremos o que acontece com Ágata. Licia Maglietta interpreta uma proprietária de uma livraria em Gênova que tem um namorado 13 anos mais jovem e um irmão arquiteto e vagamente problemático. Ela é dotada de tanta energia que, quando se sente perturbada, tem o poder de queimar lâmpadas, provocar curtos-circuitos e outros distúrbios elétricos. Há aí uma alusão metafórica à intensa "eletricidade" erótica da personagem de meia-idade. O enredo será enriquecido por uma confusão familiar envolvendo o irmão e também com alguns projetos mirabolantes, tais como o empreendimento de um pesqueiro de carpas que funcione também como hotel, restaurante e casa de jogo. Ágata entra na linha preferencial de Soldini, um diretor que costuma tratar muito bem seus personagens. Quer dizer, tem simpatia por eles, o que nem sempre acontece com os diretores de cinema. Mas Soldini é um artista solar, acredita em redenções, em busca da felicidade, em alternativas de vida. E seu cinema é veículo dessas esperanças.

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