Africanos contam suas próprias histórias em festival de cinema

Incentivados por equipamentos de vídeo de baixo custo, africanos jovens vêm infundindo ao cinema do continente um ânimo que não era visto desde os movimentos independentes dos anos 1960, diz a diretora do Festival de Cinema Africano de Nova York.

EDITH HONAN, REUTERS

17 de maio de 2009 | 11h54

Mahen Bonetti disse que o crescimento do cinema africano, inspirado pelo sucesso da florescente indústria do cinema da Nigéria, conhecida como "Nollywood", está permitindo a países como Quênia, Etiópia e Ruanda dar um impulso em seus próprios setores do cinema.

A indústria do cinema da Nigéria movimenta 450 milhões de dólares e é a terceira maior do mundo, depois de Hollywood e de Bollywood, esta última da Índia.

O festival, que terá lugar entre 22 e 25 de maio na Brooklyn Academy of Music, vai exibir filmes feitos em todo o continente africano.

A edição deste ano do festival inclui "In My Genes", da cineasta queniana Lupita Nyongo, sobre o estigma que cerca o albinismo, e "Paris or Nothing", da diretora camaronesa Josephine Ndagnou, sobre uma jovem que se muda para Paris.

Quatro curtas-metragens de membros da coletiva "Cineastas Contra o Racismo" exploram a violência xenófoba que explodiu na África do Sul no verão passado.

"É um renascimento", disse Bonetti, 52 anos, à Reuters. "Esse jovens cineastas podem comprar seu próprio computador, até mesmo sua própria câmera. E podem até editar seus filmes em casa, ali mesmo na África. Isso lhes vêm dando muita autonomia".

Enquanto vários diretores africanos são amplamente conhecidos --entre eles se destaca o falecido Ousmane Sembene, do Senegal, visto como o pai do cinema africano--, Bonetti diz que a maioria dos filmes feitos sobre o continente até hoje repetiu estereótipos.

Os cineastas africanos vêm tendo dificuldade em ampliar o sucesso de Sembene, que começou em meados dos anos 1960, em parte porque as guerras civis e a turbulência ceifaram o florescimento cultural que acompanhou o fim dos governos coloniais, disse Bonetti.

Os diretores africanos dependem em grande medida de financiadores europeus para fazer seus filmes, disse ela, fato que limitava o que eles podiam produzir. Mas a chegada de equipamentos de baixo custo e de softwares de edição amplamente disponíveis mudou essa situação.

"Esse fenômeno do vídeo é, em certo sentido, a resposta para a própria indústria do cinema", falou Bonetti. "Essa produção de vídeos caseiros virou um modelo para a criação de vários países, dando um incentivo grande a seus cinemas. Não precisamos mais buscar ajuda de fora".

Bonetti, que cresceu em Serra Leoa nos anos 1960, descreve-se como tendo ficado "congelada" nessa época. Seus pais eram ativos na política, e, após a independência, em 1961, seu tio Milton Margai foi o primeiro primeiro-ministro do país.

Bonetti deixou Serra Leoa e, em 1980, acabou seguindo dois de seus irmãos, fixando-se em Nova York.

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