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Afeto e memória no legado marcam o filme 'A Luz entre Oceanos'

Diretor Derek Cianfrance conta que todas suas histórias se baseiam no amor que, desde criança, observava entre seus pais

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2016 | 20h50

Aos 42 anos, Derek Cianfrance já é um autor cult. Namorados para Sempre e O Lugar Onde Tudo Termina, ambos com Ryan Gosling – e o culto passa também pelo ator –, lhe valeram muito mais que um sucesso de estima. A forma como lida com sentimentos e trabalha o tempo seduz os críticos, conquista o público. É um autor que ousa, e outra coisa não se podia esperar de quem estudou cinema com vanguardistas como Stan Brakhage e Phil Salomon. Cianfrance pode agora surpreender com o romântico A Luz entre Oceanos, seu filme mais clássico, que estreou na quinta, 3.

Romântico, em termos, clássico, sim. O filme é uma adaptação do best-seller de M.L. Stedman. O livro, editado no Brasil pela Rocco, começa em 27 de abril de 1926, no dia que o narrador define como sendo do milagre. Não é o jeito como Cianfrance inicia o filme. O milagre só virá bem mais tarde. Para quem se acostumou a brincar com o tempo, é no mínimo curioso ver o autor adotar a linearidade. Numa entrevista por telefone, ele se explica – “Embora seja meu primeiro filme de estúdio, não tive qualquer constrangimento para fazer A Luz entre Oceanos. Encontrei todo apoio para o que queria fazer. E, desta vez, eu queria jogar a carta do melodrama. É um filme despudorado em termos de sentimentos. E, até pelo quadro em que os personagens vivem seus dramas, é um filme de paisagem. Queria que o mar, a ilha fossem personagens, criando essa sensação de isolamento”.

A Luz entre Oceanos é sobre esse homem que aceita, após a 1.ª Guerra, o cargo de faroleiro numa ilha da Austrália. Solitário por vocação, ele se apaixona, casa-se. Leva a mulher para a ilha. Ela não consegue engravidar, e aí ocorre o milagre. De alguma forma – veja para saber como –, o casal é contemplado com um bebê. É a felicidade, mas vem a cobrança depois. Descobertas posteriores, sobre a origem do bebê, vão colocar problemas éticos e legais. Cianfrance diz uma coisa bonita – “Todos os meus filmes são sobre casais, e afeto, e todos são sobre meus pais. Não que as histórias que conto tenham a ver com eles, mas era o jeito como viviam e ainda vivem. Tudo o que coloco nos filmes é o que toda a vida observo neles”.

Embora possa parecer presunção, Cianfrance diz que encarou A Luz como a intersecção de um filme de John Cassavetes com o cinema épico e intimista de David Lean. “A ideia, no limite, é sempre ressaltar a fragilidade do humano.” Só tem elogios para seus protagonistas, Michael Fassbender e Alicia Vikander. “Tenho sido abençoado com meus atores. Eles sempre entregam até mais que peço.” E sobre a emoção... O repórter conta que havia gente chorando na sessão de imprensa. “Críticos chorando? Great! Mas em toda parte as pessoas têm chorado. Não fiz A Luz para isso, mas me agrada. Para mim, é sobre a memória que legamos. De nossos pais, de nós mesmos.”

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