Adulto é alienígena em novo "E.T."

O filme E.T. O Extraterrestre pousa no planeta cinema 20 anos depois. Como é de praxe nestes relançamentos, incluem-se cenas não aproveitadas na versão original, dá-se um retoque nos efeitos especiais, etc. Tudo para que o filme antigo apareça rejuvenescido ? e com a aura do "director´s cut", a versão do diretor, mais pessoal e em tese depurada dos eventuais interesses comerciais de produção da época do seu primeiro lançamento.Essa versão nada acrescenta àquilo que se sabe do filme, menos uma ficção científica do que uma fábula sobre o universo infantil. Para tornar mais evidente esse foco do diretor, os adultos são com freqüência filmados de baixo para cima, como seriam vistos por uma criança pequena. O mundo é delas, esse mundo onde se misturam as possibilidades da fantasia e a sublime indiferença dos adultos, imersos em seus problemas e cogitações. A opção pelo universo infantil e a recusa do mundo adulto sempre foi o carro-chefe do cinema comercial de Steven Spielberg. Ou seja, uma opção bem adulta, travestida de infantil, à maneira de Disney.Quer dizer, os verdadeiros alienígenas são os adultos e não aquele ser amoroso que chega, fica um tempo com seu amiguinho e se despede na cena comovente e obrigatória. Sobram o encanto de algumas seqüências, como o passeio de bicicleta pelo céu, e a surpresa com a utilização quase inocente dos efeitos especiais, discretos e sem caráter bélico. Os excessos emocionais de Spielberg ficam ainda mais evidentes pelo reforço da música de John Williams, a um tempo melosa e grandiloqüente, fusão que chega a ser um prodígio estético.Serviço - E.T. o Extraterrestre (E.T. The Extraterrestrial ) Aventura. Dir. Steven Spielberg. EUA/82. Dur. 115 min.

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