Iara Morselli|Estadão
Iara Morselli|Estadão

Adriana Esteves interpreta dona de casa suburbana em 'Mundo Cão'

Atriz quer repetir papéis fortes, como a Carminha de 'Avenida Brasil'

Entrevista com

Adriana Esteves

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2016 | 16h00

Há um antes e depois de Carminha na vida, e na trajetória artística, de Adriana Esteves. Ninguém sabe disso melhor que ela. Adriana já havia feito muitos filmes e novelas, incursionara pelo teatro e era considerada boa no que fazia, mas aí ocorreu o verdadeiro fenômeno que foi a novela de João Emanuel Carneiro, Avenida Brasil. Crítica e público descobriram uma outra Adriana Esteves, capaz de compor com brilho uma personagem que foi muito além do estereótipo da vilã para compor um arquétipo raro – pela força e densidade – na teledramaturgia brasileira. Por meses o País ficou siderado, eletrificado no confronto entre Carminha e Nina, a personagem de Débora Falabella. Adriana ganhou todos os prêmios do ano e, mais que o status de grande estrela, tornou-se atriz respeitada. Tudo o que faz agora desperta interesse – e expectativa.

Desde quinta, 17, Adriana ocupa as telas de cinema como a dona de casa suburbana de Mundo Cão. No longa de Marcos Jorge, ela se chama Dilza e é colhida no embate violento entre os personagens de Babu Santana e Lázaro Ramos. Num novo encontro com o repórter – após o proporcionado pelo longa de Jorge Furtado, Real Beleza –, Adriana falou de cinema, TV e família. Sim, o casamento de dez anos com Vladimir Brichta vai bem, obrigado. E não existe essa de filhos de um e de outro. São todos ‘nossos’, como ela diz. Adriana não esconde o orgulho pela enteada – não, a filha – ter ficado em primeiro lugar no vestibular para a Faculdade de Psicologia.

Dilza é outra personagem muito forte. Estava tudo no roteiro de Marcos Jorge ou você deu sua contribuição?

O roteiro era muito bem escrito e, de cara, quando ele me propôs, eu topei. Mas o Marcos é um diretor maravilhoso, que tem ouvido e sensibilidade para escutar o ator. Se você pergunta para o Babu (Santana) e o Lázaro (Ramos), eles vão fizer a mesma coisa. O Marcos ensaia, ouve a gente, testa nossas propostas. A Dilza já estava pronta. Ele a construiu pensando em sua mãe, que sustentava a família como costureira. Marcos lembra-se da mãe sempre com a fita métrica no pescoço. Então, a Dilza estava pronta. O que tentei, e ele aceitou, foi aprimorar e tornar mais verdadeira uma personagem que já pulsava no roteiro.

Gosto muito que a Dilza seja casada com o Babu Santana e os dois formem um casal misto. Isso tem a cara do Brasil, mas, paradoxalmente, não é muito comum no cinema brasileiro...

...E não é o tema do filme, mas entendo o que você quer dizer. Nada no filme questiona essa união birracial. Não tem discriminação nem preconceito e o confronto principal, entre Babu e Lázaro, também não tem conotação racial. Em vez de negros, os personagens poderiam muito ser brancos. O Marcos não teria de mudar nada. Mas eu também acho forte. Quantos casais mistos você conhece? Eu conheço um monte, mas a gente não vê isso na ficção. Vê às vezes de forma um tanto folclórica. O cara casado com a mulata gostosa. Não acho ruim, mas esses detalhes dão mais força à brasilidade de Mundo Cão.

Quando falamos no Real Beleza, você disse que queria fazer coisas diferentes. Que surpreendessem o público e a você mesma. Eu me lembro que você usou uma expressão – “Estou buscando.” E o que, exatamente, você busca?

E eu sei? Estamos falando de Real Beleza, de Mundo Cão, poderíamos acrescentar o Canastra Suja, que eu acabo de fazer e acho que vai ser muito bom. Não sei exatamente o que busco, mas estou buscando. Não quero me acomodar. Quero ser desafiada como artista, porque só assim vou crescer.

E na TV?

Iniciamos na quarta, dia 16, o trabalho de mesa de Justiça. É um texto de Manuela Dias que vai ocupar o horário de fim de noite da Globo. Vai ser uma direção de José Luiz Villamarim. É um horário muito bom porque também permite ousar mais. E a Manuela eu não preciso nem apresentar. Escreveu no cinema o Matraga de Vinícius Coimbra (A Hora e a Vez de Augusto Matraga). Fez, também com o Coimbra, o Ligações Perigosas, na mesma faixa que Justiça vai ocupar. Justiça é uma mininovela para ter 20 capítulos. Começamos a gravar em abril para ir ao ar no segundo semestre. Cauã Reymond e Cássio Mendes também estão no elenco e o que sei é que a trama conta as histórias cruzadas de quatro pessoas cujos destinos vão se chocar em torno da Justiça do título. Só para complementar, a Manuela é mulher do Caio Soh, meu diretor em Canastra Suja. É supertalentoso. E no filme eu contraceno com Marco Ricca, meu ex-marido e pai do Felipe.

Já que entramos nessa seara familiar, você tem o Vicente com o Vladimir Brichta e ele já tinha a Agnes. É bonito ver como vocês todos convivem bem...

...E por que não? O Marco e o Vladimir são amigos e o Felipe é um privilegiado que tem dois pais. Vladimir é um grande parceiro, na vida como na arte. Dá a maior força para o que quero fazer e eu retribuo. Queremos crescer juntos, fazer o que a gente gosta. Vladimir tem uma filha, a Agnes, que é minha filha também. Tenho o maior orgulho dessa menina. A Agnes passou em primeiro no vestibular para a Faculdade de Psicologia. É ou não é para eu ser uma mãe coruja? Nada que eu consegui veio de graça, mas vale a pena lutar. É só o que digo.

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