Adolescente leva à tela o desespero de uma geração

Ela inspirou, ajudou no roteito e estrelou o filme, mas não pode vê-lo nos cinemas. A adolescente Nikki Reed, de 15 anos, estréia no cinema com um polêmico e desesperado retrato de seus pares nos Estados Unidos que, por conta das muitas cenas de sexo, drogas e violência, recebeu uma pesada classificação etária e acabou proibido para menores de 17 - justamente o assunto do filme -, a menos que estejam acompanhados dos pais.Thirteen ("Treze") é um projeto saído do festival alternativo Sundance, que acabou emcampado pela gigante Fox. Apesar de uma grossa maioria de críticas favoráveis, o filme tem assustado as platéias, principalmente pais de adolescentes. Para alguns, o filme inscreve-se na tradição - sempre chocante - de filmes como Kids e Ken Park, ambos de Larry Clark. Para outros, porém, Thirteen não passa de uma tentativa moderninha de polemizar, justamente em cima da jovem Nikki e da origem semibiográfica do projeto. De concreto, o filme chega ao circuito com o aval de dois prêmios no Festival de Locarno, além do troféu do Sundance.A jovem Nikki é filha de um diretor de arte de Hollywood que namorou a cineasta Catherine Hardwicke. Ao travar contato com Nikki e sua turminha barra pesada, há alguns anos, Catherine teve a idéia do filme. Na esperança de ajudá-la, Catherine a convidou para tomar parte do projeto. A adolescente embarcou, e o resultado está nas telas americanas desde a semana passada.O título do filme dá a idade das meninas. Nikki faz o papel de Evie, a famigerada "má companhia" de outra adolescente, Tracy, interpretada pela jovem Evan Rachel Wood (do seriado Once and Again). Na tentativa de ser popular como Evie, Tracy será iniciada no sexo, drogas, auto-mutilação e também crime. Tudo isso num espaço curtíssimo de tempo, e de maneira impaciente e vertiginosa (a propósito, o subtítulo do filme é "It´s happening so fast", ou "Está acontecendo muito rápido"). A mãe de Tracy, papel de Holly Hunter, não terá tempo de acompanhar as transformações da filha. Quando se inteirar, não saberá o que fazer.Por conta da censura, o filme está mais voltado aos pais, nem tanto aos jovens. Mas, conforme contou ao Boston Herald, em entrevista publicada ontem, Nikki acha importante que tanto uns quanto os outros vejam o filme. Tenta explicar o que se passa na cabeça de um adolescente: "Você faz qualquer coisa para ser alguém". É o que ela quer que os pais lembrem, sempre. "Se eles (pais) nunca passaram por isso, o que eu acho difícil, então talvez devam ver o filme."

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