Esfera Filmes
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'Adeus Europa' retrata os anos de Stefan Zweig no exílio

Diretora Maria Schrader narra em cinco capítulos e um epílogo o ato final do artista que se matou no Brasil, em 1942

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 20h15

Logo no começo de Stefan Zweig - Adeus Europa, o escritor participa de um banquete no Brasil. Desde que abandonou a Europa, fugindo do nazismo, Zweig tem vivido no exílio. De maneira muito festiva, ele comemora que já fez no Brasil, em pouco tempo, mais amigos que em toda a sua vida na Europa. Aplausos, risos. Mas há uma nota trágica nessa confissão - um pouco da solidão do artista, mas também, e principalmente, a condição de ser judeu, e você sabe o que os nazistas estavam fazendo durante a guerra.

Em outra cena, na Bahia, Zweig e a mulher viajam de carro. No vidro projeta-se a imagem de um canavial em chamas, como a Europa também está em chamas, destroçada pela guerra. O filme que estreia nesta quinta, 27, comprime a vida de Stefan Zweig em cinco episódios e um epílogo. Usa os últimos anos - ele se suicidou em Petrópolis, no Estado do Rio, em 1942 - para investigar o homem, o artista. Em 1948, seis anos após a morte trágica do autor, Max Ophuls filmou em Hollywood o clássico Carta de Uma Desconhecida. Mais recentemente, em 1995 e 2002, no Brasil, Sylvio Back fez Zweig - A Morte em Cena e Lost Zweig.

Na Alemanha, terra da diretora Maria Schrader, Adeus Europa foi um estimável êxito de público e crítica no chamado circuito ‘de arte’. Mais conhecida como atriz, Maria fez a menos ortodoxa das biografias. Seu filme não é didático nem explica muito a vida e a obra de Zweig, mas passa o mal-estar e a ideia de um mundo em crise. Nem no Brasil, onde o autor vislumbrou por um momento a possibilidade de um futuro - para ele e para os brasileiros -, aplacou-se o tormento interior.

É um filme bonito, nostálgico. Carrega essa dor de quem não vê mais como superar o horror - nem na arte nem na vida. Em outra cena, na Argentina, alguém cobra de Zweig que denuncie o nazismo. Ele não vê utilidade. Já está desistindo, ou pronto para fazer da morte o supremo protesto. Joseph Hader, que faz o papel, é muito bom. Barbara Sukowa, como sua mulher, também é ótima.

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