Ique Esteves/Divulgação
Ique Esteves/Divulgação

Adaptação de peça de Marcelo Rubens Paiva chega aos cinemas

'E aí, comeu?' estreia ainda no 1°semestre de 2012

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo,

03 de janeiro de 2012 | 21h30

É guerra dos sexos, mas tipo comédia romântica. Mas é uma comédia verdadeira. "Verdadeira? Isso vai dar m...", disse Marcos Palmeira ao ouvir a ideia de se levar a peça E Aí, Comeu? (de Marcelo Rubens Paiva) para o cinema.

Na trama, Palmeira vai viver Honório, um jornalista machão à moda antiga, com tudo de bom e ruim. Enquanto Palmeira pensava, Bruno Mazzeo tentava entender de que tipo de papo Honório e ele (na verdade, ele, não, mas Fernando) vão de fato falar de verdade na frente da câmera ou se vai ser tudo Da Boca Pra Fora. O vídeo mostrando os bastidores da pré-seleção dos atores é, na verdade, uma brincadeira para explicar o que vai ser de fato a "primeira comédia verdadeira sobre sexo".

Com produção de Augusto Casé e direção de Felipe Joffily, terminou há pouco de ser rodado no Rio e deve estrear ainda no primeiro semestre.

Aliás, Da Boca Pra Fora foi o sobrenome carinhoso que a peça ganhou quando esteve em cartaz, e foi sucesso de público e crítica por várias temporadas. "Foi a Bianca Bayton quem deu o segundo nome. Não só porque E Aí, Comeu? poderia soar muito como papo de bar tosco de homem e assustar, mas porque ela, que tinha toda razão, dizia que o que os três amigos falavam na mesa de bar era aquele típico papo de homem quando está só entre amigos... Falam as maiores barbaridades das mulheres, tipificam, mas, no fundo, é tudo da boca pra fora. No fundo a gente ama as mulheres", conta Rubens Paiva, que assina com Lusa Silvestre o roteiro que transporta para o cinema a história dos três amigos que, na faixa dos 30 e tantos, estão tentando se entender, e entender, as mulheres de hoje.

Por falar em três, o terceiro nome da trupe é Fonsinho. O 'inho' já diz tudo. Vivido por Emilio Orciollo Netto, ele é um escritor que nunca assumiu nada na vida. Nunca se casou, só se relaciona com prostitutas, mulheres casadas e não consegue nem terminar um livro.

De acordo com Fonsinho/Emilio, é, no fundo, um escritor à procura de uma "estética" e, no caminho, se encontra mulheres sexualmente liberadas, a culpa, como diz ele no vídeo promocional do filme, é do personagem. Por falar em mulheres liberadas, no mesmo vídeo, que foi um hit na internet porque confunde perfeitamente o espectador se é de fato um teaser de verdade ou um ‘documento mentira’, é Mazzeo quem diz: "Perto delas eu sou um frade. Porque elas falam coisas muito piores quando se juntam".

E o que eles falam quando se juntam? "Honório fala da mulher (vivida por Dira Paes), que ele suspeita que o está traindo. Fonsinho fala das aventuras e da tentativa de encontrar sua maturidade. Já Fernando tenta entender por que seu casamento deu errado. E, pior, por que sua mulher o trocou por outro. No meio do caminho de Fernando, tinha uma adolescente linda, e, para surpresa dele, muito longe do clichê da ninfeta ingênua, é inteligente, bem resolvida e muito madura", explica Bruno Mazzeo.

Surpresas. Esta é só uma das tantas surpresas que 'los três amigos', e tantos outros homens contemporâneos andam encontrando nas mulheres de hoje. "Elas mudaram. Conquistaram um espaço que até pouco tempo era território dos homens. E eles estão tentando se encaixar nisso tudo. O filme fala disso. Do homem tentando entender a nova mulher e achar um novo lugar", contava o diretor Felipe Joffily durante o intervalo de filmagem do longa-metragem em um edifício antigo do centro do Rio.

Não seríamos nós ainda como nossos pais? "Sim e não. Muita coisa mudou. É verdade. Hoje as mulheres vêm para cima mesmo. Elas ganharam o direito de ir à caça", comenta Mazzeo, que teve a ideia de adaptar a peça para o cinema quando passava o carnaval em Salvador. "Eu e o Emílio estávamos recém-separados e tínhamos de reaprender a ser solteiros, a entender como funcionava a dinâmica das conquistas. Queríamos falar dessa nova condição do homem. E o Emílio teve a ideia da peça. Foi perfeita", lembra.

Resta agora provar também que, como diz o slogan do filme, a "primeira comédia verdadeira sobre sexo" é também a "primeira comédia verdadeira sobre o amor". "E é, não? Afinal, o que todo mundo quer é namorar. O homem pode até galinhar, pode ter sua fase intensa de solteiro, mas quer encontrar uma mulher especial e quer amar. É impossível ser feliz sozinho", acrescenta.

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