Mike Coppola/AFP
Mike Coppola/AFP

Análise: Adam West, o Batman da TV, era ingênuo e tinha o pé na 'pop art'

Ator que morreu na sexta-feira, aos 88 anos, evoca um tempo de alegria, na era de ouro dos 'enlatados'

Luiz Carlo Merten, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 19h48

Em 1966, Adam West já era um veterano de 37 anos, com uma carreira prolífica como coadjuvante de cinema e TV. Fez muitos westerns, nunca como protagonista, e na era dos chamados enlatados participou de séries como Gunsmoke, Perry Mason e A Feiticeira. Algo se passou naquele ano - a TV resolveu fazer uma série adaptada de Batman. Para interpretar o Homem-Morcego dos quadrinhos, os produtores queriam um desconhecido. Testaram Adam West e ele foi aprovado. O público adorou e ele vestiu a máscara do super-herói ao longo de 120 episódios que foram ao ar até 1968.

Adam West e seu Batman viraram um típico fenômeno da TV da época. Em meados dos anos 1960 - a década que mudou tudo -, Hollywood já estava se beneficiando do novo código que levantava a censura do sexo e da violência na tela grande. Mas na TV permanecia a tutela. Batman não era apenas um herói leve e divertido, muito diferente daquele que Tim Burton retomou no fim dos anos 1980 e radicalmente distinto do Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan (com Christian Bale). Havia também o fato de que Batman formava dupla com Robin, interpretado por Burt Ward, e ambos viviam suas aventuras num visual influenciado pela pop art, naquilo que ela tinha de influência.

Marcado pelo personagem, Adam West nunca conseguiu se desvencilhar da sombra de Batman. Chegou um momento em que desistiu - Batman forever. Na sexta-feira à noite, um comunicado no Twitter oficial do ator anunciou sua morte, em Los Angeles. Tinha 88 anos e morreu de leucemia. “Nosso amado Adam West era grandioso. Sentiremos uma incrível falta dele. Nós sabemos que vocês também sentirão.” Nascido William West Anderson em Walla Walla, Washington, em 19 de setembro de 1928, ele adotou o pseudônimo famoso em 1959, quando se transferiu em definitivo para Hollywood.

Graduado em Literatura e Psicologia, ‘William’ foi fazer uma pós em Princeton. Para pagar o curso, tornou-se DJ numa estação de rádio. Foi militar, e tentou criar uma estação de TV do Exército. Levava uma vida meio errática. Casou-se e foi com a mulher para o Taiti. Divorciaram-se e ele se casou com uma dançarina de hula-hula, com quem teve dois filhos. De volta aos EUA, trocou de nome e iniciou a trajetória de pequenos papéis, até o estouro de Batman. Casou-se pela terceira vez nos anos 1970 com Marcelle Tagand Lear, com quem teve mais dois filhos e permaneceu ligado até a morte.

Face ao universo sombrio dos Batman recentes, o de Adam West pode ser considerado brega, kitsch, deem o nome que quiserem. As onomatopeias dos quadrinhos invadem a tela e, nas cenas de lutas, os sons viram palavras impressas na tela. O episódio piloto de Leslie H. Martinson foi lançado nos cinemas. Tinha o reforço de Burgess Meredith, Cesar Romero e Lee Meriwether como Pinguim, Coringa e Mulher Gato. É ingênuo além da conta, mas irresistível. Em 1994, Adam West lançou sua biografia - Back to the Batcave, De Volta à Caverna do Batman. Nela desmente que tenha tido um affair com o Robin, mas o boato corria.

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