David Dee Delgado/Getty Images/AFP
David Dee Delgado/Getty Images/AFP

Acusadora de Weinstein conta sobre a sua agressão em um quarto infantil

Se Harvey Weinstein for considerado culpado, ele pode ser condenado à prisão perpétua

Redação, AFP

28 de janeiro de 2020 | 09h05

Uma das principais acusadoras de Harvey Weinstein relatou nesta segunda-feira, 27, durante uma sessão do julgamento do ex-homem forte de Hollywood como foi agredida sexualmente em um quarto infantil no apartamento do produtor, em Nova York.

Mais de 80 mulheres, incluindo as atrizes Salma Hayek e Angelina Jolie, denunciaram Harvey Weinstein por assédio, agressão sexual ou estupro desde o surgimento do escândalo sobre seus supostos abusos em outubro de 2017, que deu origem ao movimento #MeToo.

No entanto, Harvey Weinstein responde judicialmente apenas por dois caos: por violentar a atriz Jessica Mann em 2013 e por agredir sexualmente a ex-assistente de produção Mimi Haleyi em 2006.

Nesta segunda-feira, Haleyi, de 42 anos, contou a sua versão do que ocorreu no apartamento de Weinstein no Soho, por onde passou para cumprimentar o produtor.

Descreveu um homem carinhoso que de repente mudou de comportamento sem qualquer sinal prévio. "Me abraçou e me acariciou", ela contou.

Quando estava dentro do apartamento dele, Haleyi disse que teve que "continuar andando porque ele me empurrava com seu corpo". Encurralada, ela chegou ao quarto infantil que havia no apartamento do produtor, que tinha desenhos de criança colados nas paredes.

"Durante esse tempo eu lhe disse que não queria nada disso", relatou. Segundo ela, o produtor então a empurrou sobre a cama.

"Cada vez que tentava me levantar, ele voltava a me empurrar", afirmou, em lágrimas. "Continuei dizendo-lhe que não fizesse isso. Disse que estava menstruada. Estou usando um absorvente", acrescentou.

Weinstein, na época um dos homens mais poderosos de Hollywood, retirou o seu absorvente e forçadamente fez sexo oral em Haleyi, contou a testemunha. "Tentei fugir, mas percebi que não adiantava nada" diante de um homem de mais de 130 kg, quase três vezes o seu peso. "Eu apenas desisti".

"Imaginei que ir a polícia não seria uma opção para mim", explicou a assistente do reality show Project Runway.

Ela tinha medo de Weinstein, a quem descreveu como um homem com poder e muitos contatos.

Em outro momento da sessão, o advogado de defesa, Damon Cheronis, mostrou ao júri uma mensagem enviada dois anos após o incidente testemunhado por Haleyi, na qual ela teria enviado uma mensagem amigável para o produtor.

A defesa busca atacar a credibilidade das acusadoras, e insiste que as duas tiveram relações amigáveis com Weinstein durante os vários anos após as supostas acusações.

O produtor argumenta que todas as suas relações foram consensuais. Se ele for considerado culpado pelos crimes dos quais é acusado, o ex-poderoso produtor de filmes enfrentará uma sentença máxima de prisão perpétua.

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