Steve Crisp/Reuters
Harvey Weinstein é acusado de assédio sexual e estupro por atrizes como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow Steve Crisp/Reuters

Acusado de abuso, Weinstein diz que foi consumido por 'busca pelo sucesso'

Produtor, que deve começar a ser julgado nesta segunda, 6, falou à CNN sobre o caso; se for considerado culpado, Weinstein pode ser condenado à prisão perpétua

Redação, EFE

06 de janeiro de 2020 | 07h00

O produtor de cinema Harvey Weinstein, que começará a ser julgado por abuso sexual nesta segunda-feira, 6, afirmou que os últimos dois anos de sua vida foram "extenuantes", reconheceu que estava "consumido" pela "busca por sucesso" e desejou reconstruir sua carreira se for inocentado.

A emissora CNN publicou neste sábado, 4, respostas de Weinstein a uma série de perguntas enviadas por e-mail, um dia depois de investigar a principal advogada do produtor, Donna Rotunno, às vésperas de um julgamento que gera grande expectativa nos Estados Unidos.

"Os últimos dois anos têm sido extenuantes e me deram uma grande oportunidade para a autorreflexão. Fui consumido pelo meu trabalho, minha empresa, por minha busca por sucesso", respondeu o produtor.

"Isso me fez descuidar da minha família, minhas relações e atacar as pessoas ao meu redor. Estou na reabilitação desde outubro de 2017, estive envolvido em um programa de 12 passos e meditação. Aprendi a me desprender da minha necessidade de controle", completou.

Perguntado se sentia empatia pelas mulheres que o acusaram de abuso sexual, Weinstein preferiu não comentar por orientação de seus advogados, mas criticou a imprensa por "fazer suposições" que "confundiram o público".

A CNN também questionou Weinstein sobre planos futuros caso seja inocentado no julgamento. Apesar de o estúdio The Weinstein Company, do qual ele era sócio de um de seus irmãos, Robert, ter declarado falência, o produtor disse ter esperanças de reconstruir a carreira no cinema.

"Se puder voltar a fazer algo bom e construir lugares que ajudem os demais a se recuperar e reconfortar, pretendo fazê-lo", afirmou o produtor, um dos mais poderosos de Hollywood até as denúncias.

Depois de se entregar às autoridades em maio de 2018 e ser libertado da prisão após pagar uma fiança milionária, Weinstein explicou que passa a maior parte de seu tempo lendo e conversando com os advogados para tentar provar sua inocência e limpar seu nome.

Na entrevista concedida à CNN, a advogada de Weinstein afirmou que o cliente seria o "primeiro a dizer que fez coisas ruins", mas negou que ele seja um criminoso.

"Ele enganou a esposa, não foi honesto, teve relações com várias mulheres em diferentes momentos e diria que essas foram decisões ruins. (...) Perdeu tudo por essas decisões ruins. Ninguém tenta dizer que ele é um santo e que nunca fez nada de errado. Mas não acredito que Harvey seja um estuprador", disse a advogada.

Caso seja considerado culpado, Weinstein pode ser condenado à prisão perpétua

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Harvey Weinstein: relembre os fatos mais importantes do caso

Acusado por dezenas de mulheres de assédio sexual, o produtor se entregou à polícia de Nova York nesta sexta-feira, 25

EFE

25 de maio de 2018 | 12h02

O produtor Harvey Weinstein responde nesta sexta-feira, 25, pela primeira vez diante de um juiz pelos casos de abuso sexual contra ele, meses depois de dezenas de denúncias que acabaram com sua carreira e desencadearam um forte movimento feminino de repulsa às condutas sexuais inapropriadas.

++ Harvey Weinstein é acusado de estupro pelas autoridades em Nova York

As primeiras denúncias surgiram em publicação do jornal The New York Times, em outubro de 2017, uma investigação que rendeu o prêmio Pulitzer deste ano, entregue em abril. Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Daryl Hannah, Mira Sorvino, Lupita Nyong'o e Umma Thurmann estão entra as atrizes que falaram publicamente sobre terem sido vítimas da conduta inapropriada de Weinstein.

As acusações contra o produtor levaram milhares de mulheres a contar suas próprias experiências nas redes sociais, com a hashtag #MeToo, que iniciou um movimento de luta contra os casos de assédio sexual em todo o mundo, o que foi reconhecido como "personagem do ano" pela revista Time.

Para relembrar todo o caso Harvey Weinstein, veja a seguir as datas mais importantes desses últimos meses, desde as primeiras denúncias contra o produtor.

5 de outubro de 2017

The New York Times publica as acusações de assédio sexual contra Harvey Weinstein das atrizes Rose McGowan e Ashley Judd.

6 de outubro de 2017

A direção da empresa The Weinstein Company, retira as responsabilidades do produtor, seu fundador. 

10 de outubro de 2017

Semanário The New Yorker revela que 13 mulheres acusam Weinstein de assédio, incluindo três casos de estupro. Entre as denunciantes, a atriz e diretora italiana Asia Argento e a atriz Lucia Evans. Além disso, 16 antigos funcionários de Weinstein afirmaram ter sido testemunhas de casos ou conhecerem seus "avances sexuais não desejados".

11 de outubro de 2017

Weinstein é expulso da Academia de Cinena e Televisão Britânica, Bafta.

15 de outubro de 2017

A atriz Alyssa Milano impulsiona a utilização da hashtag #MeToo para denunciar casos de abuso.

19 de outubro de 2017

O diretor Quentin Tarantino reconhece que sabia da conduta imprópria de Harvey Weinstein.

27 de outubro de 2017

Weinstein inicia uma ação legal contra sua antiga companhia por negar documentos para a sua defesa. 

30 de outubro de 2017

A Associação de Produtores dos EUA bane Weinstein permanentemente. 

3 de novembro de 2017

A polícia de Nova York afirma ter provas suficientes para levar Weinstein à Justiça. 

16 de dezembro de 2017

O diretor de O Senhos dos Anéis, Peter Jackson, reconhece que Weinstein deu informações falsas sobre Ashley Judd e Mira Sorvino, duas das denunciantes.

10 de janeiro de 2018

Ashley Judd diz à BBC que Weinstein sabotou sua carreira como atriz. 

3 de fevereiro de 2018

A atriz Thurman denuncia a conduta inapropriada de Weinstein em um hotel de Londres nos anos 1990.

11 de fevereiro de 2018

O fiscal geral do Estado de Nova York, Eric Schneiderman, anuncia que após quatro meses de investigação, apresentou uma acusação contra a The Weinstein Company por não ter protegido seus funcionários e por acobertar casos de assédio.

20 de março de 2018

A companhia de Weinstein declara falência e rompe acordos legais, "com efeito imediato", que impediam o contato com as vítimas. 

16 de abril de 2018

O jornal The New York Times e seu semanário The New Yorker compartilham o prêmio Pulitzer de serviço público por revelar o caso 

Weinstein

19 de maio de 2018

A atriz e diretora italiana Asia Argento acusa Weinstein publicamente de ter abusado dela em um Festival de Cannes e afirma que ele "nunca mais" será bem recebido no evento. 

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Quem é Harvey Weinstein?

Casos de abuso sexual por parte do poderoso produtor de cinema vieram à tona depois de denúncias comprometedoras de atrizes, modelos e profissionais da indústria

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2017 | 14h36

O nome de Harvey Weinstein invadiu os noticiários da área de cultura e entretenimento nos últimos dias depois de sérias acusações relacionadas a violência sexual. O produtor de 65 anos foi acusado por atrizes, modelos e profissionais da indústria do cinema de cometer atos sexuais forçados (estupro), ameaças físicas e verbais contra mulheres e assédio sexual.

+ Lúcia Guimarães: Precisamos falar sobre o Harvey

Linha do tempo das acusações

5/10/2017

O The New York Times publica uma reportagem com acusações de que Weinstein pagou várias pessoas para manter denúncias de assédio sexual fora do alcance do público durante vários anos.

No mesmo dia, ele anuncia o seu desligamento da The Weinstein Company, e diz que vai processar o The New York Times.

7/10/2017

A advogada Lisa Bloom abandona a defesa de Weinstein. 

8/10/2017

A fundadora do site The Wrap publica um artigo acusando o New York Times de não publicar uma matéria parecida em 2004, depois de ligações de Matt Damon e Russell Crowe para o jornal.

Weinstein é demitido da The Weinstein Company.

9/10/2017

Famosos continuam a compartilhar histórias e reações às notícias.

10/10/2017

Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie falam abertamente ao The New York Times sobre suas próprias histórias envolvendo as práticas abusivas de Weinstein. 

A revista The New Yorker publica uma matéria resultante de uma investigação de 10 meses em que outras 13 mulheres compartilham histórias de abuso por parte de Weinstein. Três delas, entre elas a atriz Asia Argento, disseram que Weinstein as estuprou forçando sexo oral ou vaginal.

Em uma gravação divulgada pela revista, Weinstein admite ter apalpado uma modelo.

Em nota, Weinstein afirma que "inequivocamente nega" as alegações de sexo não-consensual.

A esposa de Weinstein por 10 anos, Georgina Chapman, anuncia a separação do produtor.

Mas quem é Harvey Weinstein?

Nascido em março de 1952 em Nova York, ele se formou em Buffalo nos anos 1970 e começou sua carreira no show biz ao produzir shows de rock na região na época. Em 1979, ele fundou, ao lado do irmão Bob Weinstein, a Miramax, que até 1993 se destacou como produtora e distribuidora de filmes independentes.

Em 1993, a Disney adquiriu a companhia, mantendo os irmãos à frente, e no ano seguinte a empresa lançou Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, o que marcaria o início da expansão para se tornar uma das mais importantes produtoras e distribuidoras de Hollywood.

Em 2005, os irmãos decidiram deixar a empresa e fundar sua própria produtora: The Weinstein Company, que lançou alguns hits de bilheterias e muitos filmes premiados aos longo dos últimos 12 anos (veja as listas abaixo).

eus métodos de trabalho são conhecidos como duros, agressivos e muitas vezes rudes. Histórias de agressões verbais e físicas contra homens e mulheres em desacordo com suas crenças são conhecidas no show biz.

Harvey Weinstein venceu o Oscar de melhor filme em 1999 por Shakespeare Apaixonado, e foi indicado ao mesmo prêmio em 2003 por Gangues de Nova York. Desde 2005, ele é indicado com regularidade ao Emmy pelo reality Project Runaway, e também venceu ao longo da carreira sete Tony Awards, por suas produções de peças de teatro e musicais.

Em 2004, ele recebeu uma Ordem do Império Britânico honorária por sua contribuição ao cinema, e em 2012 uma honraria semelhante do governo da França lhe foi atribuída.

Ele também é conhecido por seu engajamento em questões sociais como combate à pobreza, prevenção a AIDS e pesquisas relacionadas a outras doenças, bem como na luta pela regulamentação das armas e do sistema de saúde nos EUA.

Weinstein contribuiu com campanhas de candidatos do Partido Democrata americano, incluindo Barack Obama, Hillary Clinton e diversos senadores.

Filmes produzidos pela Miramax na época dos irmãos Weinstein (1979-2005 - entre muitos outros)

Pulp Fiction (1994)

Tiros na Broadway (1994)

Kids (1995)

Um Drink no Inferno (1996)

Gênio Indomável (1997)

Shakespeare Apaixonado (1998)

Gangues de Nova York (2002)

Fahrenheit 11 de Setembro (2004)

Filmes produzidos pela The Weinstein Company (entre outros)

Vicky Cristina Barcelona (2008)

O Leitor (2008)

Bastardos Inglórios (2009)

O Discurso do Rei (2010)

O Lado Bom da Vida (2012)

Django Livre (2012)

Lion: Uma Jornada Para Casa (2016)

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