Christophe Archambault/ AFP
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Acusação de estupro contra Polanski atinge estreia de filme na França

Grupo de feministas protestaram nesta quarta-feira, 13, contra o lançamento do longa; no Twitter, internautas convocaram um boicote ao diretor

Christophe Archambault/ AFP, Agências

13 de novembro de 2019 | 18h14

A estreia do último filme de Roman Polanski na França, nesta quarta-feira, 13, foi marcada por protestos, devido a uma nova acusação de estupro contra o diretor, que abalou o apoio de que desfruta na indústria francesa do cinema.

A promoção de J'accuse, vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza, foi alterada e seus protagonistas Jean Dujardin e Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski, tiveram de cancelar as costumeiras entrevistas de promoção.

Várias feministas bloquearam na última terça-feira, 12, a pré-estreia do filme em um cinema parisiense, aos gritos de 'estuprador Polanski', enquanto no Twitter circulava um apelo ao boicote da obra.

O cineasta franco-polonês de 86 anos foi acusado na sexta-feira passada, 8, por uma francesa, Valentine Monnier, de tê-la estuprado depois de espancá-la em 1975, na Suíça, quando ela estava com 18 anos, segundo testemunho publicado no jornal Le Parisien. Por meio de seu advogado, Polanski negou essas acusações e disse que estuda uma 'ação legal'.

O diretor é considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde, em 1977, foi acusado de estuprar uma menor de 13 anos. Outras mulheres alegaram terem sido abusadas sexualmente por ele nos últimos anos.

 

Perseguição

Denunciando o "séquito incondicional de intelectuais e artistas" que continuam a apoiar o diretor, Valentine disse que decidiu tornar público seu testemunho para contrariar comparações entre o cineasta e seu último filme.

J'accuse conta o erro judicial histórico de que o militar judeu Alfred Dreyfus foi vítima no final do século XIX, na França, por razões antissemitas. "Estou familiarizado com muitas das performances do aparato de perseguição exibido no filme", disse o diretor, que afirma ter sido injustamente criticado durante anos pela opinião pública.

Um protesto popular o forçou em 2017 a recusar o convite para presidir o Prêmio César, o Oscar do cinema francês. Já a senadora socialista e ex-ministra Laurence Rossignol disse nesta quarta-feira que não irá assistir ao filme. "É um filme que não vou ver, porque não se pode premiar Polanski com isso. Não se pode virar a página", afirmou, ao convocar o boicote.

 

Eu abuso

No Twitter, alguns internautas compartilharam a hashtag #BoicotePolanski, enquanto circulavam outras modificando o título do filme, como Eu abuso. Outros apoiaram o diretor, de família judia. "É muito sério agredi-lo neste momento, quando há um aumento do antissemitismo na Europa", disse a diretora Nadine Trintignant.

Na pré-estreia oficial de terça-feira na Champs-Élysées, em Paris, à qual Polanski compareceu, muitos dos convidados disseram 'diferenciar o homem do cineasta'. "Venho ver o trabalho do diretor. Não sei se do que é acusado é verdadeiro, ou não", disse à AFP uma das espectadoras, Seny Carette.

Mas o escândalo levou a Sociedade Civil de Autores, Produtores e Produtores (ARP), da qual Polanski faz parte, a anunciar que estudará medidas contra membros que foram julgados por agressão sexual. "A seriedade do momento força nosso conselho de administração a se expressar", declarou o ARP.

A decisão da ARP também veio depois da primeira vez em que uma conhecida atriz francesa, Adèle Haenel, denunciou na semana passada ter sido vítima de um ataque sexual na indústria. Ela acusou o diretor Christophe Ruggia de "assédio permanente", quando ela era adolescente.

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