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'Acossado' é destaque na retrospectiva de Jean-Luc Godard, no CCBB

Longa não seria a mesma coisa se Jean-Luc não tivesse visto 'Bom Dia, Tristeza'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2015 | 21h54

Quem vir Acossado, na retrospectiva de Jean-Luc Godard, no CCBB, com toda certeza ficará fascinado pela beleza e mistério de Jean Seberg, que faz Patriciá. O filme, com história de François Truffaut, é sobre homem que mata policial e foge. Chama-se Michel Poiccard, torna-se alvo de uma caçada humana. Interpretado por Jean-Paul Belmondo, é ajudado por essa garota norte-americana que sobrevive em Paris vendendo o The New York Herald Tribune na Avenue des Champs Elysées.

É um desses momentos inesquecíveis do cinema. A voz da atriz, o movimento da câmera. Godard cria um estranhamento para que o espectador fique tão fascinado quanto Michel por Patriciá. Acossado é de 1959. Mais até do que Os Incompreendidos, de Truffaut, virou o manifesto da nouvelle vague. Você tem nesta sexta-feira, na Mostra, a rara oportunidade de conferir quem ‘inventou’ Jean Seberg para Godard.

Atraído pelas novidades – os pré-lançamentos e os filmes que só serão exibidos na Mostra –, o cinéfilo poderá negligenciar as retrospectivas e apresentações especiais. Entre os destaques da retrospectiva da ONG de Martin Scorsese, a The Film Foundation – criada para salvaguardar clássicos do cinema ameaçados de destruição –, está Bom Dia, Tristeza, de Otto Preminger. Antes que a nouvelle vague estourasse no cinema, a nova onda surgiu como um movimento da juventude contra a gerontocracia que parecia dominar a arte e a cultura da França, na segunda metade dos anos 1950.

A escritora Françoise Sagan foi precursora. Escreveu Bonjour Tristesse, que virou um fenômeno editorial em todo o mundo. Preminger comprou os direitos e fez, em 1958, o filme que expressa o mal-estar da juventude da época.

Bom Dia, Tristeza é especial. Garota tenta destruir a ligação do pai viúvo com a amante. David Niven e Deborah Kerr fazem os papéis. Como a adolescente, Preminger colocou Jean Seberg, que já dirigira em Santa Joana.

Tirou-a de um filme de época e fez dela a encarnação da juventude triste. Godard apaixonou-se. Fez Acossado, Jean virou ícone. É um grande filme. E tem um detalhe – a cena de créditos, com aquela lágrima, talvez seja a mais bela de todo o cinema. Nenhuma surpresa. Saul Bass criou, para Preminger e Alfred Hitchcock, esses créditos que também fizeram história.

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