Acordo beneficia longas do Brasil e de Portugal

Na entrevista que deu ao Estado, em busca de patrocínio para o projeto de Viva o Povo Brasileiro, André Luiz Oliveira se queixou amargamente da falta de apoio para realizar o filme adaptado de João Ubaldo Ribeiro. Oliveira pode ainda não ter conseguido todo o aporte financeiro do qual necessita - não é um filme barato -, mas acaba de ganhar uma parceria importante. Viva o Povo Brasileiro foi um dos dois projetos selecionados pela Comissão Mista Luso-Brasileira, que se reuniu na sexta passada, no Rio. O outro é Tudo Isto É Fado, de Luís Galvão Teles. Cada filme receberá um apoio financeiro de US$ 160 mil. A Comissão Mista é formada por dois representantes do Brasil e de Portugal, pelo secretário do Audiovisual, José Álvaro Moisés, pelo coodenador de Intercâmbio Audiovisual da secretaria, Samuel Barichello Conceição, e pelo presidente e a vice do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimídia de Portugal, Pedro Berhar da Costa e Anabela Afonso. O concurso integra o protocolo dos acordos de co-produção entre os dois países. Seleciona projetos audiovisuais cinematográficos de longa-metragem de ficção. Pelos termos do edital do concurso, cada filme inscrito deve ter sócios majoritário e minoritário no Brasil e em Portugal.No caso de Tudo Isto É Fado, o produtor minoritário é a Videofilmes, do Brasil, e no de Viva o Povo Brasileiro, a Alfândega Filmes, de Portugal. É a segunda vez que a Videofilmes participa do concurso da Comissão Mista Luso-Brasileira. Da primeira vez, a empresa foi sócia minoritária de Jaime, filme de Antônio Pedro de Vasconcelos que fez carreira expressiva em Portugal e chegou a ser premiado no Festival de San Sebastián, na Espanha. Apesar disso, permanece inédito no País.Produtor executivo da Videofilmes, Maurício Andrade Ramos conta que as parcerias com produtores portugueses começaram quando Antônio da Cunha Teles deu o apoio necessário à realização de Terra Estrangeira, o filme de Walter Salles e Daniela Thomas em que os personagens vividos por Fernando Alves Pinto e Fernanda Torres fazem o caminho inverso dos descobridores e deixam o Brasil para voltar a Portugal, em busca de suas origens. Por meio de Cunha Teles, chegaram ao filme de Vasconcelos. "Colocamos um ator brasileiro, o Guilherme Leme, e um fotógrafo, o Edgar Moura, pois o acordo, afinal, é de co-produção e visa a incentivar o intercâmbio artístico e técnico entre os dois países", afirma Ramos.Ele diz que a Videofilmes ainda não desistiu de colocar Jaime nos cinemas brasileiros. "É um filme muito interessante, com uma dimensão social muito forte", explica. Embora a verba de US$ 160 mil não seja muito grande, Ramos diz que pode fazer a diferença e ainda avaliza para os dois países o projeto selecionado, capacitando-o a procurar outros parceiros. Este ano, concorre com Tudo Isto É Fado o projeto Portugal S.A., ex-Sucesso, de Ruy Guerra, apresentado pelo produtor minoritário Sky Light Cinema Foto e Art Ltda. O projeto Viva o Povo Brasileiro concorreu com outros dois: O Homem Que Inventou uma Estória de Cinema, de Luiz Alberto Pereira, apresentado pelo sócio minoritário Jorge Neves Produção Audiovisual, e O Rochedo e a Estrela, de Kátia Mesel, da Arrecife Produções Cinematográficas Ltda. (sócia majoritária) e a Hora Mágica Audiovisuais (minoritária). A liberação dos recursos é feita em três etapas, sendo que a última parcela só sai na entrega da cópia do filme pelo produtor português ao co-produtor brasileiro (e vice-versa).

Agencia Estado,

30 de outubro de 2001 | 10h30

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