Acervo da Cinemateca do MAM deverá continuar no Rio

O governo do Estado e a prefeitura do Rio vão se unir ao Arquivo Nacional e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para manter na cidade o acervo da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM). São cerca de 50 mil latas de filmes, com matrizes e negativos da produção de cineastas como Roberto Faria, Luiz Carlos Barreto, institucionais do Exército e outros órgãos federais e filmes estrangeiros ameaçados de se perder por estarem guardados em condições inadequadas.Na segunda-feira, em reunião no MAM, ficou decidida a construção de um novo depósito para os filmes que vão para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, até que o local fique pronto. Sua construção e o transporte do material serão pagos pela prefeitura. O conselho deliberativo do MAM e sua diretora, Maria Regina Nascimento Brito, divulgaram nota explicando que a instituição não tem recursos para construir e manter um depósito para os filmes (com orçamento superior a R$ 3 milhões) e não poderia se responsabilizar por eles.Mudança - Desde o ano passado, os cineastas começaram a ser notificados e alguns tiraram seus filmes de lá, como aconteceu com Cacá Diegues, que defende a mudança de todo o acervo para a Cinemateca Brasileira, segundo ele "o único órgão com experiência, pessoal especializado e recursos para guardá-los". Maria Regina, os secretários de Cultura do Estado, Antônio Grassi, e do município, Ricardo Macieira, e os representantes do Iphan, do Arquivo Nacional e da Cinemateca Brasileira decidiram retirar os filmes do MAM até o fim de julho, tentando não desmembrar a coleção. No entanto, ficou resolvido que os títulos do governo federal vão para o Arquivo e os outros, de acordo com os donos de seus direitos, deverão ser levados para a Cinemateca Brasileira, que fará um diagnóstico de sua situação. O fim do depósito da Cinemateca do MAM dividiu os profissionais de cinema do Rio. Parte defende a sua permanência no Rio e outros concordam com Cacá Diegues. A Cinemateca do MAM, fundada em 1964, foi o primeiro centro cultural do Rio, onde boa parte dos profissionais do Cinema Novo e da geração que se seguiu se formou, vendo filmes não exibidos no circuito comercial. As cópias e originais começaram a ser guardados lá nessa época, mas nunca se construíram instalações adequadas para conservá-los. No ano passado, foi realizado um diagnóstico da coleção, identificando o conteúdo de milhares de latas, mas a própria localização do MAM, a poucos metros do espelho d´água da Baía de Guanabara, inviabiliza a construção de um depósito adequado no local, com temperatura nunca superior a 15º e umidade de, no máximo, 35%. A diretora no MAM, no entanto, garante que o fim do depósito não encerra as atividades da Cinemateca, cuja sala de exibição está fechada e cuja biblioteca não recebe nem 20 visitantes por mês. "Temos patrocínio com a BR-Distribuidora e vamos reabri-la assim que o equipamento importado chegue", adianta Maria Regina. "Talvez seja possível já em julho."

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