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Acervo da Cinemateca cresce, mas falta preservação

Há três anos em crise e com poucos funcionários, instituição tem dificuldade para recuperar filmes

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2016 | 20h57

O maior acervo de imagens em movimento da América Latina, formado por 200 mil rolos de filmes (30 mil títulos), entre cinejornais, documentários e obras de ficção, tem registros raríssimos, como a coleção de imagens da extinta TV Tupi, primeira emissora brasileira, inaugurada em 1950, que a Cinemateca Brasileira herdou em 1985 – são nada menos que 180 mil rolos de filmes em 16 milímetros com reportagens históricas dos telejornais da época. Considerando a crise que se arrasta há três anos na Cinemateca e afeta a preservação dos filmes pelo número insuficiente de funcionários na instituição, é preciso confiar na sorte para que esse amplo acervo documental não seja afetado por um novo acidente, provocado pela autocombustão de obras em suporte de nitrato de celulose.

O programa de digitalização de acervos, formulado pela Cinemateca e sua Sociedade de Amigos em 2007, para dar suporte à produção de novas matrizes digitais, tanto de seu acervo como de outras instituições, conseguiu cumprir sua principal meta, que era a modernização de seu laboratório, mas o parque tecnológico implantado não funciona a todo vapor para atender a demanda.

Foram identificados, higienizados e documentados até recentemente mais de 4 mil obras documentais de diferentes coleções referentes a realizadores como Jorge Bodanzky e Ozualdo Candeias. É um trabalho monumental, tanto como o da recuperação do arquivo da Carlos Niemeyer Filmes, adquirido em 2011 pelo Ministério da Cultura – são mais de 3 mil itens, entre roteiros e cinejornais do selo Canal 100 no período compreendido entre 1960 e 1986. No entanto, o tempo, a falta de dinheiro e a escassez de mão de obra têm sido os piores inimigos na preservação de um acervo que tem recebido cada vez mais itens – entre as recentes aquisições estão filmes, cartas, textos, livros, troféus e fotografias da atriz Norma Bengell.

A Cinemateca Brasileira, desde 1978, quando foi instalado um laboratório de restauração reconhecido como um modelo pela Féderation Internationale des Archives du Film, vem realizando um trabalho primoroso de recuperação de obras-primas do cinema brasileiro, como os filmes de Glauber Rocha. Seus filmes estão preservados, mas não é possível garantir o futuro de cinejornais históricos feitos desde a década de 1930. Todos em nitrato de celulose.

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