Acaso leva Catherine Zeta-Jones ao Oscar

Catherine Zeta-Jones ganhou por acaso o papel pelo qual concorre pela primeira vez ao Oscar. Como o produtor de Chicago, Martin Richards, é amigo do marido da atriz, Michael Douglas, ele foi convidado a passar o Natal, há quatro anos, na mansão do casal. Decidi divertir os convidados cantando e tocando piano, sem imaginar que Martin estivesse recrutando atores para o projeto de adaptação do musical da Broadway para as telas, contou Catherine, que disputa a estatueta de melhor atriz coadjuvante pela performance como a dançarina Velma Kelley.Nunca um papel exigiu tanto de mim fisicamente. Mas faria tudo de novo, se não estivesse com essa barriga enorme, brincou a galesa de 33 anos, grávida de oito meses do segundo filho, previsto para nascer no início de abril. Só espero que o irmãozinho ou irmazinha de Dylan (o primogênito, de dois anos) não resolva chegar durante a festa do Oscar. Por via das dúvidas, ela contratou uma ambulância, que vai esperá-la do lado de fora do Kodak Theater, em caso de emergência. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida em Nova York.Agência Estado - Michael Douglas comentou certa vez que você não deveria esperar muito mais para fazer um papel sexy, na linha de Sharon Stone, em Instinto Selvagem. Chicago foi a resposta que encontrou?Catherine Zeta-Jones - Minha personagem é realmente sexy, por conta do período histórico. A década de 20 em Chicago foi sexy, decadente, obscura e suja. Mas não foi isso o que mais me motivou a fazer o filme. Atuar em um musical no cinema era um sonho antigo, que eu tinha desde a infância. O papel mais ousado ainda deve acontecer em um futuro próximo. O que Michael quis dizer foi que tirar a roupa em cena é a única coisa que eu ainda não fiz nas telas.Por ter experiência no gênero musical, pelo menos no teatro, tirou de letra a intensa preparação física de seis semanas?Quem me dera (risos). Eu fui dançarina de sapateado, mas nunca fiz nada que se comparasse às coreografias de Chicago. Nem mesmo nos musicais que estrelei nos palcos (Bugsy Malone, The Pajama Game, 42nd Street e The King and I). Foi assustador saber que teria de ser levantada por dois bailarinos durante um dos números musicais, o que exige muita leveza. Eu mal conseguia sair da cama após a primeira semana de treinamento. Pensei seriamente que acabaria sendo substituída por outra atriz. Teria sido uma vergonha (risos).Por Renée Zellweger interpretar a sua rival no filme, o espírito de competição foi sentido também atrás das câmeras?Não. Nós éramos como duas colegas de classe, como duas melhores amigas. Sempre tive a sorte de trabalhar em sets onde não há espaço para estrelismos. Desde que contracenei com Sean Connery (em Armadilha), percebi que os grandes atores não dão chilique. Só os inseguros se prestam a esse papel.Com a família crescendo, o que muda em sua carreira?Obviamente não poderei aceitar papéis se os filmes forem rodados em locações distantes. Antes de aceitar um trabalho ainda será preciso me organizar melhor com Michael. Decidimos que, quando eu estiver trabalhando, ele ficará em casa com as crianças. E vice-versa.O fato de ser mãe não a intimidaria na hora de filmar as cenas de nudez que você planeja?Não. Isso geralmente acontece com atrizes americanas. Como sou européia, não teria pudor em tirar a roupa. Minha única preocupação é encontrar um roteiro que justifique a nudez. Ficaria constrangida, caso o público questionasse ao ver o filme: Há algum motivo para ela estar pelada nessa cena?.

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