Ação serve para discussão de ideias em 'A Tentação'

CRÍTICA: filme discute o embate entre ateísmo e fanatismo religioso e coloca policial em sinuca ética

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

10 de agosto de 2012 | 21h17

Matthew Chapman já foi indicado para a Framboesa de Ouro de pior roteiro por A Cor da Noite, mas isso não o impede de ser um profissional requisitado e agora mesmo ele está envolvido na escrita de projetos no Brasil. O roteiro de A Tentação tem a forma de um quebra-cabeças que vai ficando cada vez mais complicado. Começa com os dois caras no alto do prédio, o suicida e o policial que vai tentar impedir que ele cometa o ato radical. Mas o próprio tira está em crise. Abrem-se um para o outro, expõem suas razões.

Em ambos os casos, o adultério está no centro do drama. Charlie Hunnam virou amante de Liv Tyler e agora o intransigente marido da mulher armou uma armadilha para colocar esse amor à prova. O amor do policial Terrence Howard pela mulher também está em crise porque ele descobre que não é pai biológico dos dois filhos do casal.

Isso é parte da situação - o suspense do thriller surge daí. Mas A Tentação não se propõe a ser só um thriller de ação. Também é de ideias. Discute o embate entre ateísmo e fanatismo religioso e coloca o policial numa sinuca ética. Tudo o que ocorre é para levá-lo a determinado ato, ou gesto.

O filme mais parecido com A Tentação, para preparar o espectador para o que vai ver, é brasileiro - Não por Acaso, de Philippe Barcinski. Nada na tela é produto do acaso. Tudo está ali por um motivo. É um filme muito elaborado - construído. Seria fake se Liv Tyler, que eliminou suas falas, não pusesse tanta humanidade no olhar.

 

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