Academia encerra inscrições para filmes estrangeiros

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos encerra hoje as inscrições de filmes estrangeiros pré-candidatos ao Oscar para a 78.ª edição do prêmio. O Brasil enviou este ano 2 Filhos de Francisco, a biografia da popular dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano, filhos de um pobre trabalhador rural. O filme dirigido por Breno Silveira já é a segunda maior bilheteria desde a retomada do cinema brasileiro iniciada na década de 1990. Atingiu a marca de 3,4 milhões de espectadores. O longa, que vai representar o Brasil no Oscar só fica atrás de Carandiru.Outros aspirantes que já fazem barulho são o francês Joyeux Noël, que conta a história de soldados dos dois lados durante uma trégua na 1.ª Guerra Mundial e o alemão Sophie Scholl que examina os últimos dias de uma jovem estudante dissidente do regime nazista.Os espanhóis montram-se animados este ano, contabilizando a vitória do filme espanhol Mar Adentro em 2004. A Espanha tentará repetir sua conquista desta vez com Obaba, o último filme de Montxo Armendáriz, diretor que concorreu ao Oscar em 1997 com Segredos do Coração. Outros países de língua espanhola como México, Chile, Argentina, Porto Rico e Colômbia apresentaram suas candidaturas. No total, a Academia convidou 91 países para participar do evento, dois a mais que na última edição. Malásia e Cazaquistão são as novidades. Após ficar de fora no ano passado, a Colômbia retorna nesta edição com A Sombra do Caminhante, filme de Ciro Guerra. No ano passado, a Colômbia quis competir na categoria de melhor filme estrangeiro com Maria Cheia de Graça, fita desqualificada nesta categoria por ser considerada uma produção americana. Porto Rico enviará a fita Cayo, enquanto o Chile compete este ano com Meu Melhor Inimigo, de Alex Bowen, um filme sobre o confronto limítrofe entre Chile e Argentina. A Argentina defenderá sua candidatura com A Aura, de Fabian Bielinsky, um diretor já conhecido em Hollywood graças a seu êxito Nove Rainhas. Esse filme tragicômico conta com um dos rostos mais conhecidos pelos membros da Academia, Ricardo Darín, protagonista de O Filho da Noiva, filme com o qual a Argentina concorreu ao Oscar pela última vez, na 74.ª edição. É normal entre os aspirantes apelar aos gostos e preferências dos acadêmicos, repetindo a presença de atores ou diretores que já tiveram êxito anteriormente na premiação. Desta forma, a Índia pôs suas esperanças em Paheli, filme de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana, dirigido por Vinod Pandey, rival de O Filho da Noiva em 2001 com Lagaan. O México participará com o longa-metragem Ao Outro Lado, na estréia de Gustavo Loza, que narra três histórias entrelaçadas de crianças cujos pais cruzaram a fronteira em direção "ao outro lado". O filme conta com o apoio do Unicef, que proporciona distribuição não-comercial do filme para chamar a atenção sobre os problemas gerados pelos movimentos migratórios. Este tom social se repete em muitos dos filmes que aspiram a uma indicação nesta edição do Oscar, uma conscientização que contrasta com as histórias mais convencionais presentes em Hollywood. A Itália compete com Private, sobre uma família palestina que tem sua casa ocupada por soldados israelenses; a Suécia enviou o filme Zozo, sobre um menino libanês que procura refúgio na Suécia, e o polonês Greg Zglinski tenta uma indicação com One Long Winter Without Fire sobre um casal que supera a perda de sua filha com a amizade de refugiados do Kosovo. O comitê encarregado da seleção dos cinco indicados nesta categoria começará a assisti-los em 28 de outubro. Os filmes escolhidos serão anunciados em 31 de janeiro e a entrega da estatueta será feita em 5 de março, na 78.ª edição do Oscar.

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