Academia confere "Cinema, Aspirinas e Urubus" nesta sexta

"Me perguntam como vou ao Oscar. Oras, o diabo veste Prada. Por mim, eu fazia feito o Marlon Brando e mandava um índio cariri me representar. Usando chapéu de couro de bode, claro", brinca Marcelo Gomes sobre as chances de "Cinema, Aspirinas e Urubus" ser um dos cinco finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007.O longa "Cinema, Aspirinas e Urubus" venceu outros 13 filmes que também se inscreveram no Ministério da Cultura (MinC) para concorrer a uma vaga no Oscar e ganhou por unanimidade. O filme brasileiro inaugura a maratona de sessões oficiais dos candidatos para os membros da Academia. A sessão ocorre nesta sexta, às 19h30, em Los Angeles. A exibição dos 60 filmes estrangeiros é dividida em quatro grupos: vermelho, azul, branco e cinza. "Cada grupo tem 15 filmes. Só vota quem assistir a todos os filmes de um dos grupos. Somos o primeiro filme do grupo vermelho. Não vai dar tempo nem de preparar a platéia", comenta Gomes. "Por um lado, o primeiro filme fica marcado na memória. Mas depois vê-se tantos que é possível que do impacto do primeiro se dilua", pondera.A produtora gaúcha, radicada em São Paulo, Sara Silveira aposta na campanha que o filme ainda pode fazer. "Vamos organizar outras exibições para reativar a memória. E temos um publisher americano que está pensando nas ações que devemos fazer".O produtor pernambucano do filme, João Vieira Jr., lembra que Aspirinas não é tão desconhecido assim dos americanos. "Está em cartaz nos EUA desde fevereiro em circuito de arte. E vai participar do festival de cinema de Palm Springs, em janeiro".Aspirinas, que está novamente em cartaz nas salas brasileiras, também deve participar do Festival de Cinema de Santa Bárbara, também na Califórnia, e será lançado em DVD em 2007. "Vamos organizar exibições em Nova York também. Gente que já passou por esta maratona, como o Fernando Meirelles, o Breno Silveira, o pessoal da Columbia, está nos dando ótimas dicas", completa Gomes. "De resto, é aguardar. Mais rigoroso que o povo de Cabaceiras, tenho certeza que ninguém vai ser. No dia seguinte à exibição, conversamos muito com as pessoas. E elas diziam: "Fiquei mudo porque pensei que apareciam mais as pessoas da cidade. Foi um choque para elas", conta Gomes, satisfeito. "Elas ficaram remoendo o filme. E ele foi feito para isso", conclui ele, provando mais uma vez que se, como dizia Euclides, o sertanejo é antes de tudo um forte, o bode e o cinema brasileiro são mais fortes ainda.Quem ainda não assistiu "Cinema, Aspirinas e Urubus" pode conferir o filme no Reserva Cultural, às 13h20 e às 15h20 (Avenida Paulista, 900) ou ainda na programação da 30.ª Mostra de Cinema de São Paulo, que abre para o público na sexta-feira. O longa de Marcelo Gomes será exibido apenas no dia 25, quarta-feira, às 19h30, no Vão Livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

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