Academia Brasileira consagra "Cidade de Deus"

Cidade de Deus levou mais troféus (inclusive melhor filme emelhor direção, para Fernando Meirelles), mas o vencedor do prêmio daAcademia Brasileira de Cinema, entregue ontem à noite no CineOdeon-BR, foi o próprio cinema nacional. Sem patrocínio para a eleiçãoe a festa, produtores, atores, técnicos, distribuidores e donos de salase cotizaram - cada um cedeu um dia de faturamento- e financiaram umanoite charmosa e emocionante. A começar pelo mestre de cerimônia, oator José Lewgoy, que anunciava os indicados numa genial montagem de cenas de seus mais de 90 filmes. O presidente da Academia, Luiz Antônio Vianna lembrou que a falta depatrocínio quase impede a realização do Prêmio. "Seria muito tristedeixar passar em branco, no ano em que o cinema nacional se encontroucom o público", comentou.No ano que vem, eles terão mais folga. A prefeitura do Rio vaidestinar R$ 1,5 milhão à Academia em 2004. O que não livrou o secretário Municipal das Culturas, Ricardo Macieira, e o diretor daRiofilmes, distribuidora municipal, José wilker, de ouvirem uma bravatado grande homenageado da noite, o diretor Carlos Manga. "Cinema não semistura com política, nem precisa de prefeito. Basta nos deixarem fazero que sabemos", disse ele no palco. Mas antes da festa, junto com asfilhas e os netos, era só doçura. "Receber este prêmio, neste cinema,me emociona porque aqui eu vinha ver a reação do público a meus filmes,a velhinha que ria, a moça que namorava e até quem não achava graça emnada."A emoção de Manga deu a tônica da noite, que premiou Marcélia Catarxoe Lázaro Ramos como melhores atores, por Madame Satã; Mariana Ximenes ePaulo Miklos como melhores coadjuvantes por O Invasor; Janela da Alma,de João Jardim e Walter Carvalho como melhor documentário, e Fale comEla, de Pedro Almodóvar, como melhor filme estrangeiro.A maior parte dos prêmios técnicos se distribuiu entre Cidade de Deus(melhor roteiro adaptado de Bráulio Mantovani; melhor fotografia deCesar Charlone; melhor montagem, de Daniel Rezende, e melhor som, devários autores) e Madame Satã (direção de arte de Marcos Pedroso;figurino Rita Murtinho, e maquiagem de Sônia Penna), mas outrasproduções também levaram sua láurea. O melhor roteiro original foi paraHouve uma Vez um Verão, de Jorge Furtado; e o rapper Sabotage,assassinado este ano, foi um dos comtemplados pela trilha sonora de OInvasor. Entre os curtas, Morte (melhor ficção), Como se Morre noCinema (melhor documentário) e Lasanha Assassina (melhor animação)foram os escolhidos.Mais que uma disputa para ser o melhor, a noite foi de elegância econfraternização entre os concorrentes. Marieta Severo, que concorria amelhor atriz, por As três Marias, estava chiquérrima, mesmo advinhandoque Marcélia Catarxo levaria o prêmio. João Jardim dedicou seu troféude melhor documentário a todos os outros concorrentes, lembrando que2002 foi o ano em que o público brasileiro descobriu o gênero. A festadurou duas horas e, sem dinheiro para champanhe, todo mundo brindou comchope depois da cerimônia.

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