"Aboio" conquista prêmio do festival "É Tudo Verdade"

Foi a melhor de todas as edições do Festival de Documentários É Tudo Verdade. Palavra de Amir Labaki, criador e diretor do maior evento de documentários da América Latina, que agradeceu aos mais de 700 documentaristas que inscreveram seus trabalhos, permitindo-lhe fazer a seleção que definiu como a melhor de todas, nesta década que viu consolidar-se, no Brasil e no mundo, a cultura do documentário.Cerca de 25 mil espectadores assistiram aos filmes no Rio e em São Paulo. Este número deve crescer a partir de amanhã, quando o É Tudo Verdade desembarca em Brasília, para uma programação especial no Centro Cultural Banco do Brasil. O festival foi encerrado oficialmente na noite de sábado, no CineSesc, com a entrega dos prêmios aos vencedores. A cerimônia foi informal e ruidosa, com direito a aplausos do público e muita emoção dos vencedores. O prêmio da competição brasileira foi para o documentário Aboio, da mineira Marília Rocha, que deu um show no palco. ?Há um mês eu não tinha nem um filme. Tinha um vídeo. E agora, com meu primeiro trabalho, ganho este festival tão importante. Só por estar com vocês, só por ter sido selecionada, eu já me considerava uma vitoriosa, mas ganhar o festival... É um sonho, muito obrigado?, disse, no mais emocionado discurso da noite.Mais dois prêmios importantes foram atribuídos aos integrantes da competição brasileira. A ABD/São Paulo, Associação Brasileira de Documentaristas, premiou Moacir - Arte Bruta, de Walter Carvalho, e a TV Cultura destacou Do Luto à Luta, de Evaldo Mocarzel. O trabalho de Carvalho, de imensa sensibilidade e beleza - não poderia ser diferente, considerando-se a personalidade do diretor -, tem como personagem um negro pobre e meio surdo, de 42 anos, que se assemelha a um quasímodo por causa da má formação óssea. Esse homem, que talvez inspirasse a compaixão que se sente pelos desvalidos, merece o respeito reservado aos artistas. Isolado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, é pintor e expressa um imaginário tão rico quanto intrigante. Mocarzel definiu seu filme como "de utilidade Pública". O documentário sobre síndrome de Down é o melhor da carreira do diretor. Vai concorrer no Festival do Recife, que começa na quarta, com Aboio, que resgata o hábito arcaico de tanger o gado por meio do canto dos vaqueiros. Aboio investiga o canto dos vaqueiros na caatinga da região de Minas Gerais a Pernambuco. Recebeu o troféu É Tudo Verdade e R$ 10 mil como prêmio, além de R$ 7 mil em equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria para a próxima produção.O curta vencedor da competição brasileira foi Da Janela do Meu Quarto, de Cao Guimarães, outro mineiro talentoso. E o prêmio de melhor documentário da competição internacional foi para Ensaios, de Michael Leszczylowski, sobre arte e vida numa prisão sueca, com menção para O Liberace de Bagdá, de Sean Macallister, sobre Samir Peter, um dos mais famosos pianistas iraquianos, que agora toca em um bar de hotel decadente em Bagdá.

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