Abertura de Cannes dispara coração de cinéfilo

Nunca é tarde para falar sobre a abertura do Festival de Cannes, na quarta à noite. Pela primeira vez nos 59 anos de história do evento, um homem e não uma mulher, foi o mestre de cerimônias. Vincent Cassel vestiu-se de branco para executar a função. Saiu-se surpreendentemente bem. Foi a mais bela abertura em anos, desde aquela, em 2000 ou 2001, em que Jeanne Moreau e Vanessa Paradis cantaram Toubillon, da trilha do clássico Jules e Jim, de François Truffaut. Com algum exagero, considerando erupções recentes de violência, Cassel disse que a França é o verdadeiro melting pot do mundo neste alvorecer do século 21. Lembrou que há quarteirões de Paris que abrigam mais culturas e nacionalidades do que Nova York ou o Rio de Janeiro. Ele saudou a França como um pais que respeita a diversidade cultural e disse que Cannes é o seu espelho.Logo em seguida, chamou o presidente do júri, o diretor chinês Wong Kar-wai, que disse estar naquele palco representando todos os cineastas da Ásia. Cassel pediu-lhe que se virasse e olhasse no telão localizado atras de ambos. Entraram as imagens de 2046 e a cena em que o dono do hotel coloca árias de opera no último volume para encobrir suas brigas com a mulher. Momento mágico - entrou a soprano Angela Gheorghiu, uma das grandes divas da atualidade, cantando para Wong Kar-wai e milhões de espectadores que assistiram a cerimônia ao vivo (foi televisionada para toda a Europa e diversos países francófonos). Ainda faltava uma surpresa. Cassel chamou um ator lendário de Hollywood, que trabalhou com os grandes mestres - Raoul Walsh, Otto Preminger, Richard Brooks - para declarar o festival aberto. Entrou o veterano Sidney Poitier, que foi aplaudido de pé pelo público do Grand Theatre Lumière, o Palais de Cannes. Em momentos assim, o coração do cinéfilo ameaça disparar aqui em Cannes.

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