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Aberta a temporada das animações de férias

‘Toy Story 4’, ‘Turma da Mônica’ e ‘Pets 2’ inauguram a safra dos novos filmes em época de férias escolares

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 07h00

Haja cinemas, e horários, para acomodar tantas atrações. Com a chegada das férias de julho, as distribuidoras se mobilizam para atender à demanda das plateias infantis. Na quinta passada, 20, estreou Toy Story 4, que arrastou multidões a salas de todo o Brasil. Nesta quinta, 27, entram Turma da Mônica – Laços e Pets 2 – A Vida Secreta dos Bichos

A Paris Filmes e a Universal ainda fechavam ontem os circuitos gigantescos que esses filmes terão no Brasil afora. Turma da Mônica baseia-se na graphic novel que dá roupagem nova aos personagens de Mauricio de Sousa. Toy Story 4 é a nova realização da Pixar/Disney e, segundo o próprio diretor, o fecho da história de Woody na série. Pets 2 é a nova animação do Illumination Entertainment, o estúdio que, em pouco mais de dez anos, vem alinhando sucessos após sucessos.

A marca já é, em si, uma animação à parte. Aparece a cachorrada toda puxando um amarelinho – um minion, adorador do Malvado Favorito. Arrastam o minion, que tenta ficar de pé, e lá se vai a cachorrada de novo. A pirueta antecipa o clima do filme, que começa resumindo a história de Max e seus amigos.

De cara, Max e Duke lembram o momento em que seus donos se encontraram, casaram e tiveram o bebê, Liam. Uma série de cenas rápidas dá conta de como a dupla sofreu nas mãos do molequinho, até o dia em que ele abraça os amigos e diz que os ama. Pronto – a partir desse momento, o pequeno humano domesticou seus pets. Max assume como razão de sua vida proteger o menino, que agora vai entrar numa nova fase, indo à escola, etc e tal. Etc e tal? Ops! Porque essa parte está muito parecida com o começo de Toy Story 4, em que Woody, o caubói, também assume como sua razão de ser a proteção de Bonnie. E, como Bonnie, fez – literalmente – um novo amigo, Garfinho, Woody será capaz de tudo para garantir a felicidade da menina.

Até aqui, existe certa semelhança – de origem e conceito, não de animação nem design gráfico –, mas logo Toy Story 4 e Pets 2 tomam rumos diversos, e o segundo vira dois em um. A família vai sair de férias – “vamos andar de carro!”, exultam Max e Duke – e o primeiro arranja quem cuide do seu pet favorito, porque animal doméstico também tem seus brinquedos. A escolhida é Gigi, que, logicamente, atrapalha-se toda (mesmo unida a Bola de Neve, o coelho super-herói). 

A partir daí, o filme segue as aventuras de Max na fazenda, à sombra do cão de guarda chamado Galo e na cidade as da gatinha que tem de reaver o toy que sumiu. Para complicar um pouco – muito? – surgem um filhote de tigre, que age feito gatinho grande, e o dono de um circo que mais parece o Malvado Favorito, com um séquito de lobos e um mico (macaco) que mais parece o demo de tão ruim. Chris Renaud reassume a direção, valendo lembrar que ele já havia dirigido o 1, em 2016. Conhece sua bicharada. Os relatos, no plural – a parte na cidade e a na fazenda –, visam despertar nas crianças, de forma não necessariamente didática, e com evidente fascinação pelos malvados (a marca do Illumination), conceitos como amizade, lealdade, solidariedade. A união faz a força, mas isso, na ótica de Renaud, é só meia verdade. O filme também aposta na individualidade, e chega o momento em que Max precisa encarar, e libertar, o Galo dentro dele para vencer os lobos desse mundo.

Pets 2 chega ao mercado brasileiro com cópias em 2D e 3D, dubladas e legendadas. 

A distribuidora estima 50/50. Os dubladores são Danton Mello, Luiz Miranda, Tiago Abravanel e Dani Calabresa. Danton, quem é que não sabe?, é irmão de Selton Mello, que também tem no currículo uma vasta experiência como dublador. São do ramo, esses dois. No original, as vozes pertencem a Patton Oswald, Eric Stonestreet, Kevin Hart, Tiffany Haddish. A diversão é garantida, mas querem saber de uma coisa? Desculpem, tá, mas Toy Story 4 é... Melhor!

Uma história de humanização que começa na Disney

Os animais como personagens centrais de filmes bons de bilheteria ajudaram a criar um cinema lucrativo 

Vem de longe a história dos bichos nas animações e o lendário Walt Disney foi decisivo no processo, ao antropomorfizar – ufa, parece palavrão –, ou seja, ao dar forma humana aos animais em suas criações. Tudo começou com Mickey Mouse, que ele inicialmente queria chamar de Mortimer e tem gente que se pergunta se Disney teria construído seu império se Mickey tivesse esse nome. Mortimer? Não é a mesma coisa. Vieram depois os animais amigos da Branca de Neve, os da Cinderela, Bambi, etc, etc. Nos anos 50, a Dama e o Vagabundo viraram sinônimo de romance quando o vira-lata levou a cachorrinha de raça à cantina e, no fim daquele espaguete interminável que cada um suga do seu canto, trocam um beijo.

A humanização dos animais virou regra na Disney e, por décadas, em animações ou aventuras de live-action, os cães, principalmente, domesticaram seus donos. A sacada da produtora Illumination foi imaginar a vida dos animais domésticos longe do olhar dos donos, como os brinquedos de Toy Story. Pobres pets. Surgiram vilãs como Cruela Cruel, que na animação tenta criar um casaco com as peles de 101 filhotes de dálmatas.

Glenn Close foi quem fez o papel na versão live action. A animação, com as novas ferramentas do digital, tornou-se cada vez mais perfeita – realista? –, a ponto de permitir que o público se colocasse na cabeça de um rato que sonha em ser chef em Ratatouille.

E, claro, surgiram os inumeráveis cães das live actions. Lassie, Rin-Tin-Tin. Até o Brasil teve o nosso lobo – na série do Vigilante Rodoviário. Os cães, com aquele jeito tristonho de olhar, talvez tenham alimentado a ficção mais que os gatos, com fama – injustificada, dirão os gatólogos – de traiçoeiros. Mas também houve gatos, sim – Os Aristogatas. Na animação de Wolfgang Reithermann, de 1971 – onde mais, senão na Disney? –, a gata Duquesa herda a fortuna da dona e o mordomo desalmado a expulsa de casa com os três filhotes. Pobre Duquesa. Não teria retorno se não fosse um gato vira-lata, com o pomposo nome de Thomas O’Malley a ajudá-la. Estamos dividindo aqui a ficção entre animações e live actions, mas e os híbridos?

Como esquecer o ratinho Stuart Little que Rodrigo Santoro – o Louco de Turma da Mônica – Laços, que também estreia nesta quinta –, dublou nos cinemas brasileiros? E não é possível que estejamos esquecendo de Snoopy, na série Peanuts, de Charlie M.Schulz. A lista é infindável, senão inesgotável. Cachorreiros de plantão, assumam-na, e completem-na.

 

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