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'A Visita' marca nova fase do diretor M. Night Shyamalan

Diretor tenta se reinventar após série de fracassos nas telonas

Elaine Guerini, ESPECIAL PARA O ESTADO

25 de novembro de 2015 | 05h00

NOVA YORK - Depois de O Sexto Sentido (1999), M. Night Shyamalan nunca mais conseguiu justificar o título de “sucessor de Alfred Hitchcock”, conquistado com a história do menino atormentado por visão de mortos. Exceto por Sinais (2002), no qual ainda exibiu habilidade na condução de um suspense, nada mais deu certo na filmografia do cineasta de origem indiana e naturalizado norte-americano.

Foram tantos tropeços pelo caminho, como A Dama na Água (2006), Fim dos Tempos (2008), O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013), que o próprio Shyamalan foi obrigado a repensar a carreira para prosseguir com seu trabalho. “Queria sentir novamente a pureza e o frescor de quem vai à escola, recomeçando como se fosse do zero”, recorda ele. 

A Visita, que estreia nesta quinta-feira, dia 26, no Brasil, representa essa mudança de curso, com o diretor de 45 anos voltando às origens e buscando o terror mais psicológico. Para não sofrer interferência, ele mesmo financiou a produção, que custou apenas US$ 5 milhões e já arrecadou mais de US$ 93 milhões mundialmente.

Com elementos de humor negro, o filme A Visita investe no filão “nada é o que parece ser”, ao seguir os passos de casal de irmãos enviado pela mãe para passar uma temporada na fazenda dos avós, uma dupla com hábitos perturbadores e assustadores, que pode colocar em risco a vida dos jovens. “Recuperei o gosto pelo thriller, que nada mais é do que jogar xadrez com o espectador’’, disse o diretor M. Night Shyamalan ao Caderno 2, em Nova York.

Até que ponto a crítica negativa do filme Depois da Terra, uma de suas produções mais caras (de US$ 130 milhões) foi responsável pelo seu redirecionamento profissional? 

Quando me perguntei o que queria fazer com a minha carreira, a ideia de rodar filmes menores me pareceu boa por trazer um equilíbrio. Eu realmente não preciso de um grande trailer no set (risos). Também queria retomar as obras mais pessoais, em que conto minhas histórias. A ideia de Depois da Terra não foi minha (o argumento é de Will Smith, que estrela o filme de 2013 ao lado de seu filho, Jaden Smith), o que resultou em outra forma de trabalhar. Mas não vou reclamar disso. Ao me expor e correr riscos, acho que posso me tornar a melhor versão de mim mesmo.

Como se sentiu sendo tão atacado por causa de alguns de seus filmes anteriores, que levaram à perda de confiança dos estúdios em você?

Como artista, questiono o que faço o tempo todo. Contanto que meus valores estejam em meus filmes, estou em paz comigo. Aprendi que sempre haverá diversas narrativas para contar a minha trajetória. E nenhuma delas, boa ou má, corresponderá à verdade, por representar uma visão de fora. Acredito que ser famoso é nunca deixar a fase de garoto mais popular do ginásio, algo que não me faz falta. O meu trabalho é fazer filmes e continuar aprendendo, sempre. 

A Visita também foi um aprendizado, sobretudo em provar que um bom thriller não exige tantos recursos no set?

Foi. Nas minhas mãos, quanto mais minimalista, mais eficaz é o suspense. Sem os excessos, percebo melhor quais os elementos realmente são importantes. Depois disso, é mais fácil deixar a trama incompleta, obrigando a plateia a participar, ao acrescentar a última peça do jogo. Um exemplo seria uma cena em que o público não sabe quem é o bom e o mau da história, mas consegue perceber quem é quem sozinho, antes do desfecho.

O filme brinca com a paranoia de envelhecer, não?

A ideia nasceu justamente do medo que as pessoas têm dos idosos, o que é uma extensão do nosso medo de morrer. Por isso, jogo com as coisas estranhas que acontecem com o nosso corpo e a nossa mente no último estágio. Quando era criança, eu ficava chocado quando o meu avô tirava a dentadura e a colocava num copo de água, enquanto conversava comigo (risos). 

Em A Visita, tudo acontece por uma razão, algo recorrente em sua obra. Você é assim? Procura significado em tudo? 

Sim, o que deixa a minha mulher louca (risos). Pela minha filosofia de vida, não conseguiria contar uma história sem que tudo se encaixasse no final. Por trás das coisas ruins, prefiro ver uma razão e não apenas um vazio. O obstáculo pode ser o caminho. O que julgamos ser o nosso problema, seja o chefe chato, o namoro desfeito ou o acidente de carro, talvez seja a solução para a nossa vida. Evitar a dor não adianta nada. É melhor passar por ela e ressurgir como o pássaro Fênix. 

 

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