A versatilidade de Matthew McConaughey no Oscar 2014

Ator está em 'O Lobo de Wall Street' e 'Clube de Compras Dallas', ambos finalistas ao Prêmio da Academia

Melena Ryzik - The New York Times, The New York Times

20 de fevereiro de 2014 | 17h29

Há um hábito em especial que Matthew McConaughey gosta de manter para relaxar, dá um soquinho no peito, murmura num ritmo masculino. É algo que o centra, ele diz. "Funciona. Faz com que minha voz fique mais grave." Era uma coisa íntima que ele gostava de fazer, até que Leonardo DiCaprio testemunhou a cena no set de O Lobo de Wall Street e sugeriu acrescentar isso ao personagem, em cena, no filme de Martin Scorsese. O resultado está no longa, e o movimento acaba sendo "roubado" pelo personagem de DiCaprio, espécie de pupilo de McConaugheu na história.

O ator trabalhou pouco mais de um dia nas cenas de O Lobo de Wall Street, mas é uma de suas fortes performances. Ele começa como um gigante e vai diminuindo, algo que McConaughey tem entregado com frequência nos últimos anos.

A decisão de deixar um pouco de lado os blockbusters é parte do que o levou a Clube de Compras Dallas, filme que concorre ao Oscar 2014. Ele interpreta Ron Woodroof, um paciente inspirado num homem real, diagnosticado com Aids, que tornou-se um ativista pelos tratamentos médicos nos anos 1980, quando ainda pouco se sabia sobre a doença. Além de ter perdido mais de 20 quilos para o papel, McConaughey cria com veracidade um cowboy de rodeios homofóbico que vive muito mais do que o prognóstico dado por seus médicos e supera suas atitudes antiquadas.

A transformação física foi essencial para o papel. "Não era um desses papéis em que você pensa que poderia ser interessante emagrecer um pouquinho. Era absolutamente necessário", conta o ator. "Eu não sabia quantos quilos eu tinha de perder. Pensei que algo em torno de 15, e, quando perdi 15, as pessoas diziam que eu estava magro, mas eu senti que isso não era o suficiente, porque o Ron da vida real era mais do que magro. Então continuei emagrecendo." Depois de perder mais de 20 quilos, as pessoas ao seu redor começaram a se preocupar com sua saúde. "Eu disse que ele estava louco, que 15 era o suficiente", alarmou-se o diretor Jean-Marc Vallée.

"Esse processo disse muito sobre quem era aquele homem. Realmente mudou meu estilo de vida. Virei um ermitão. Fui me tornando um especialista em Ron Woodroof", conta ele. Woodroof era extremamente focado em sua sobrevivência, começou o clube de compras para tratamentos, que na época era ilegal, e continuou com ele em lutas judiciais para mantê-los disponíveis. "Era um personagem anárquico. Mantenha o homem de negócios, e você terá uma cruzada. Mantenha-o como um filho da manhã, e você chegará até sua humanidade."

A história de Clube de Compras Dallas tem quicado em Hollywood há décadas, ao ponto de até atores como Brad Pitt terem sido considerados para o papel principal. Mas o tema, um drama médico que acaba com a morte dos protagonistas, não era considerável palatável. "Todos tinham medo desse filme. Ninguém achava que ele atrairia a audiência", diz Craig Borten, o roteirista que conceeu a ideia.

 

Ele passou horas entrevistando o Woodroof da vida real, que morreu em 1992, sete anos depois de ter dito que teria apenas mais 30 dias de vida. Foram 50 as versões do roteiro que escreveu antes de encontrar Melisa Wallack, com quem aprimorou outras 10 ou 15. Houve ainda uma outra versão até que McConaughey entrou para o projeto, dando a ele sua voz, e a produção começou em 2012. "Matthew tornou-se a locomotiva que nos trouxe até nosso destino", comemora Vallée.

Conhecido pelo público por estar sempre sem camisa no papel do stripper de Magic Mike, McConaughey deixou de lado toda essa sensualidade nos trabalhos de hoje. Ele também está na série exibida pela HBO True Detective. "A pausa que fiz nas filmagens não era para fugir de tudo, eu sabia que continuaria, só queria recalibrar meu relacionamento com minha carreira", explica.

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