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'A Travessia' lembra caminhada de Philippe Petit sobre fio, em 1974

Longa é dirigido por Robert Zemeckis

Entrevista com

Robert Zemeckis

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

04 de fevereiro de 2016 | 20h15

NOVA YORK - Robert Zemeckis, 63, estava na faculdade de cinema, em Los Angeles, quando Philippe Petit andou sobre um cabo a 400 metros do chão entre as Torres Gêmeas, no sul de Manhattan, em 1974. Mas ele não sabia do “golpe”, que é como Petit chama carinhosamente o seu feito, até deparar com o livro infantil The Man Who Walked Between the Towers, de Mordicai Gerstein, lançado em 2003, dois anos após os prédios serem derrubados num ataque terrorista. “Fiquei fascinado, ainda mais quando descobri que era uma história real”, disse.

“Achei que tinha todos os elementos para um filme convincente e empolgante”, afirmou o diretor sobre A Travessia, projeto que nasceu bem antes do documentário O Equilibrista (2008), de James Marsh, e que sai agora em DVD e Blu Ray.

Zemeckis apostou em imagens em 3D vertiginosas desse outro grande acontecimento no World Trade Center, para sempre lembrado como o cenário de uma tragédia.

Como descreveria o significado mitológico ou simbólico das Torres Gêmeas agora?

Não sei. Philippe sempre falou das Torres Gêmeas como suas parceiras e que sua performance não existiria sem os prédios, que tratava como coisas vivas. Pensei que era assim que deveriam ser apresentadas no filme, como personagens.

Como chegou à decisão de fazer o filme em 3D?

Sendo meio o pai dos filmes modernos em 3D, desde que fiz O Expresso Polar (2004), sempre senti que é uma ferramenta do cineasta para elevar a história. Que não é um truque para ser adicionado no fim. Esse projeto gritava pelo 3D, que fez parte do processo de desenvolvimento, do desenho do roteiro, desde o início.

Como foi trabalhar com o diretor de fotografia Dariusz Wolski?

Nós estudamos o melhor modo aumentar a sensação de estar tão lá no alto. Ficamos muito tempo pensando em como dar essa sensação de vertigem.

Você planejou o filme em 3D, mas não rodou em 3D. Por quê?

Porque não é mais necessário. A única razão para rodar com duas lentes é se água está envolvida, porque ela é muito difícil de ser convertida em 3D.

Não há documentação do feito de Philippe Petit, certo?

Não há documentos, só os depoimentos das testemunhas, da polícia e de Philippe. O fato interessante é que, em 1974, ele ficou num cabo por 45 minutos e nenhuma câmera de imagens em movimento registrou. Há apenas algumas fotos. Hoje haveria 100 mil.

Do que se lembra do dia 11 de setembro?

Estava em casa e o telefone tocou. Era uma amiga de minha mulher nos dizendo para ligar a TV. Ficamos na frente do aparelho o dia todo, vendo a tragédia se desenrolar.

Acha que o filme pode ter um efeito traumático nos parentes das vítimas dos ataques?

Não sei. Sempre senti que a tragédia aconteceu e jamais vamos esquecê-la. Mas a caminhada de Philippe Petit também aconteceu. Seria um desserviço às Torres Gêmeas se simplesmente negássemos sua existência porque terminaram em uma tragédia. Philippe fez essa coisa muito humana e bela. Essa é parte da história daqueles prédios também. Acho que tudo precisa ser lembrado.

A TRAVESSIA

Direção: Robert Zemeckis

Distribuição: Sony (EUA, 2015)

Preço: R$ 39,90

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