Fênix
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'À Sombra de Duas Mulheres' e 'Desejo de Matar' entre as estreias de cinema da semana

Chegam aos cinemas nesta quinta-feira, 10, ainda, 'Todos os Paulos do Mundo', 'A Noite do Jogo' e 'O Renascimento do Parto 2', entre outros filmes; veja trailers

Redação, O Estado de S. Paulo

10 Maio 2018 | 06h00

Entre as estreias do cinema desta semana, destaque para o novo filme de Philippe Garrel, À Sombra de Duas Mulheres, o documentário que presta homenagem ao ator Paulo José, o remake de Desejo de Matar, com Bruce Willis no lugar de Charles Bronson, e O Renascimento do Parto 2. Veja, ainda, o trailer dos filmes que estreiam nesta quinta-feira, 10.

Drama

Philippe Garrel trata da libido feminina

À Sombra de Duas Mulheres / L’Ombre des Femmes (França-Suíça/2015, 73 min.)

Dir. de Philippe Garrel. Com Louis Garrel, Stanislas Merhar

O cinema autoral de Philippe Garrel não corre o risco de se tornar repetitivo quando ele apresentar obras como À Sombra de Duas Mulheres. Seu olhar sobre as relações humanas apontam para detalhes que, se aparentes na primeira impressão, logo se tornam determinantes.

Aqui, Pierre e Manon formam um casal de documentaristas e, apesar de estar apaixonado por Manon, Pierre conhece Elizabeth, cai de amores por ela e deseja manter o relacionamento com as duas mulheres. Claro que não vai dar certo e, do desencontro, Garrel aproveita para mostrar como um triângulo amoroso pode ressaltar a equalização na libido de homens e mulheres.

Como já noticiou Rodrigo Fonseca, blogueiro do Estado, na visão do diretor, “ambos os sexos têm fome (e direitos) para desejar com quantidade e qualidade, apesar de a moral ocidental propor que só o macho da espécie tem licença para o cogito anticartesiano ‘Cobiço, logo existo’”. Fonseca arrisca dizer (e vários críticos concordam) que se trata do melhor longa de Garrel desde Amantes Constantes, de 2005.

O clima é reforçado ainda pela trilha sonora de Jean-Louis Aubert e a narração de Louis Garrel, filho do diretor. O curioso é que À Sombra de Duas Mulheres forma uma trilogia com O Ciúme e O Amante de um Dia, este recentemente exibido nos cinemas brasileiros. “As três partes tratam, de forma geral, da sexualidade feminina”, observou o crítico do Estado Luiz Zanin Oricchio. “E, em particular O Ciúme e À Sombra, que expressam uma carnalidade que antes não se encontrava no cinema de Garrel. Na crítica dos Cahiers du Cinéma, Stéphane Delorme a atribui à influência do corroteirista Jean-Claude Carrière, que, como todos sabem, escreveu vários filmes de Luis Buñuel.” E completa: “Esse novo ‘corpo’ lhe dá uma densidade, sem perder a leveza que sempre teve”. / UBIRATAN BRASIL

Documentário

O talento de Paulo José, sob todos os ângulos

Todos os Paulos do Mundo (Brasil/2017, 80 min.)

Dir. de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira. Com Paulo José, Marieta Severo

O talento de Paulo José é indiscutível, mas, observar uma sequência de cenas de seus filmes, como apresentada em Todos os Paulos do Mundo, é capaz de deixar qualquer espectador boquiaberto. Os diretores Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira detalham o envelhecer de um mito, hoje em luta contra o Parkinson. Mas, se Paulo José exibia uma contagiante vitalidade em sua fase jovem, encanta pela resistência contra a doença que insiste em calar sua forma de fazer arte, já na velhice. Faz lembrar a imagem da árvore que resiste ao vendaval. 

É esperado que documentários como este enalteçam o homenageado, destacando apenas seus bons momentos. Mas a trajetória de Paulo José coincide com a da arte brasileira, especialmente o cinema e a TV. Afinal, ele foi um padre que pecou por amor, sonhou ter todas as mulheres do mundo (e ficou com uma só), deu vida a um herói sem nenhum caráter, e, já debilitado, viveu o artista de circo que discute a profissão com o filho em crise. Trabalhos delicados, que o tornam um dos atores mais completos e complexos da cena brasileira. / UBIRATAN BRASIL

Ação

Bruce Willis vive papel que foi de Charles Bronson

Desejo de Matar / Death Wish 

(EUA/2018, 109 min.)Dir. de Eli Roth. Com Bruce Willis, Vincent D’Onofrio, Elisabeth Shue

E lá vem Bruce Willis em novo filme, mas não se preocupe: é cheio de ação e tiros. Trata-se do remake de um clássico, estrelado pelo ator Charles Bronson (1921-2003), com direção de Michael Winner. Como no original de 1974, neste novo Desejo de Matar, dirigido por Eli Roth, Willis vive um médico, Paul, que tem a vida virada de ponta cabeça após sua família ser alvo de um crime violento. Sua casa é invadida por um bando de marginais, sua filha é brutalmente agredida e fica em estado grave no hospital. Mas, para piorar, sua mulher acaba assassinada. 

Como todo bom cidadão, Paul aguarda as investigações oficiais, mas logo percebe que a polícia não encontrará os assassinos. É aí que ele decide fazer a famosa ‘justiça com as próprias mãos’. Ele jura que vai atrás de todos os responsáveis, e pegará um a um. Sim, ele vai se armar e se transforma em um justiceiro, que veste um agasalho com capuz e é flagrado por algumas câmeras, que não mostram o rosto dele e, por isso mesmo, fazem com que muitos o apoiem em sua empreitada. / ​ELIANA SILVA DE SOUZA

Drama

'Esplendor', a arte de traduzir emoções e imagens

Esplendor / Hikarin (Japão-França/2017, 101 min.)

Dir. de Naomi Kawase. Com Masatoshi Nagase, Ayame Misaki

Misako (Ayame Misaki) é uma cineasta apaixonada pelas versões de filmes destinadas a deficientes visuais. Durante a exibição de um dos seus trabalhos, ela conhece Masaya Nakamori (Masatoshi Nagase), um fotógrafo que está perdendo a visão e mantém um acervo de fotografias que atrai Misako e faz com que ela se conecte com seu passado. 

O filme se foca na possibilidade de uma pessoa enxergar por outra, um processo empático de compartilhamento de sentidos e sentimentos. E a confiança é peça fundamental nessa relação entre o artista que começa a ficar cego e a intérprete, a pessoa que traduz imagens e emoções. 

Com sutileza e sensibilidade, Kawase move sua câmera de forma que as figuras não possam ser facilmente identificadas, torna tudo turvo, quase irreconhecível, remetendo à cegueira que atinge o protagonista.   

O momento mais emocionante, e de uma delicadeza extrema, de Esplendor acontece quando uma plateia assiste a um filme pelo olhar da protagonista. Ainda que as imagens não possam ser vistas por esses espectadores com deficiência visual, elas sempre poderão ser sentidas.

Comédia

‘A Noite do Jogo’ garante humor inteligente

A Noite do Jogo / Game Night (Estados Unidos/2018, 99 min.)

Dir. de Jonathan Goldstein, John Francis Daley. Com Jason Bateman, Rachel McAdams, Kyle Chandler

Max e Annie, vividos por Jason Bateman e Rachel McAdams, passam suas noites tentando a qualquer custo vencer seus amigos nos jogos e nas competições que organizam. A dupla participa de um grupo de casais que promove noites de jogos. Tudo se complica quando chega o rico irmão mais velho de Max, Brooks, que propõe a mais incrível competição de todas: uma noite de jogos da qual os três casais presentes participarão. Tudo será bem próximo do real e vai incluir o sequestro de um dos integrantes da turma e os demais competidores terão de descobrir o cativeiro da vítima e salvá-la. Quando Brooks (Kyle Chandler) é sequestrado, todos acreditam que tudo faz parte da misteriosa brincadeira.

A trama mantém o interesse do público com seu humor bizarro e anárquico, e o roteiro engenhoso que deixa, até o fim do filme, o espectador sem conseguir distinguir se os conflitos da história realmente aconteceram com os personagens ou se fazem parte de uma encenação forjada. 

Com cenas inspiradas e sequências divertidas, a comédia de ação cumpre o que promete.

Comédia dramática

Laços de irmãs em ‘Acertando o Passo’

Acertando o Passo (Reino Unido/2017, 111 min.)

Dir. de Richard Loncraine. Com Imelda Staunton, Timothy Spall

Quando ‘Lady’ Sandra Abbott (Imelda Staunton) descobre que seu marido, com quem é casada há 40 anos, está tendo um caso com sua melhor amiga, ela vai buscar refúgio com a irmã Bif (Celia Imrie), com quem tem pouco contato. As duas são muito diferentes e precisam lidar com isso. 

Documentário

A vida do fundador do Hare Krishna

Hare Krishna! (EUA/2017, 90 min.)

Dir. de John Griesser e Lauren Ross. Com Bhaktivedanta Swami Prabhupada

O filme retrata a vida de Srila Prabhupada, o Swami, o fundador do movimento espiritual Hare Krishna, indiano de 70 anos que chegou a Nova York em meio aos turbulentos anos 1960. Ele dava palestras interpretando antigos textos indianos, atraindo muitos seguidores, George Harrison entre eles.

Documentário

Em busca de partos mais humanizados

O Renascimento do Parto 2 (Brasil/2018, 91 min.)

Dir. de Eduardo Chauvet. Com Alexandre Coimbra Amaral e Fernanda Lima

Documentário faz um alerta acerca da violência obstétrica que ocorre no Brasil – tanto nas cesarianas desnecessárias quanto no parto normal – e que afeta mãe e bebê. Com depoimentos de especialistas e pessoas que enfrentaram essas situações, O Renascimento do Parto 2  fala ainda sobre experiências positivas daqui e do exterior.


 

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