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Maureen O’Hara: a ruiva indomável que fez história com Ford

Bastaria ‘Depois do Vendaval’, filme com John Wayne, para garantir o lugar no panteão de Hollywood, mas ela b rilhou muito mais

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2015 | 19h55

Maureen O’Hara tinha apenas 21 anos quando fez seu primeiro filme com John Ford. Como Era Verde Meu Vale, baseado no romance de Richard Llewellyn, ganhou os principais Oscars de 1941 – e, como obra restaurada, pode ser visto na Mostra, integrando a retrospectiva da Film Foundation de Martin Scorsese. A beleza das imagens entrou para a história como um dos trabalhos mais refinados do grande fotógrafo Arthur Miller (homônimo do dramaturgo), mas não faz justiça ao detalhe mais marcante da figura física de Maureen, a cabeleira ruiva.

Ela própria reconhecia que o fato de ser ruiva a ajudou, e muito. “Sempre fui uma garota irlandesa difícil”, declarou ao Daily Telegraph, em 2004. “Mostrei que era uma atriz puro-sangue. Não apenas pelo meu rosto, que também me deu frutos, mas pela cabeleira ruiva, que me dava um aspecto selvagem.” John Ford percebeu isso e, em 1950, ela formou dupla com John Wayne em Rio Grande, que, no Brasil, se chamou Rio Bravo. Os dois faziam casal separado que brigava por causa do filho, quando o garoto ia servir no forte comandado pelo pai.

O problema é que mestre Ford insistia em filmar Maureen O’Hara em preto e branco. Em 1952, finalmente, ele percebeu que essa mulher, com sua exuberância, exigia todo o colorido do mundo. E fez Depois do Vendaval/The Quiet Man, que foi premiado em Veneza e ganhou os Oscars de direção (o quarto do cineasta) e fotografia (Winton C. Hoch e Archie Stout). Passado numa Irlanda idílica, o filme mostra John Wayne como ex-boxeador que volta às origens e se casa com a fogosa Maureen.

O problema é que o irmão dela se recusa a pagar o dote – uma tradição local – e isso leva a uma antológica sequência de briga. Bem antes disso, o vendaval irrompe justamente em outro momento memorável – o do primeiro beijo. A cena do beijo inspirou Steven Spielberg em E.T. Primeiro, ela é vista pelo extraterrestre na TV e depois Elliot, o garoto, rouba um beijo da colega, na escola.

Maureen O’Hara era seu pseudônimo e ela nasceu Maureen FitzSimons no subúrbio de Dublin, na Irlanda. Em 1939, coestrelou na Inglaterra, com Charles Laughton, um filme atípico de Alfred Hitchcock, A Estalagem Maldita. No mesmo ano, e de novo com Laughton, mas já em Hollywood, foi Esmeralda na versão de William Dieterle de O Corcunda de Notre Dame, o célebre romance de Victor Hugo. Outros filmes importantes foram Esta Terra É Minha, de Jean Renoir, seu terceiro com Laughton; A Paixão de Uma Vida, de Ford, com Tyrone Power, e outro Ford, Asas de Águia, com John Wayne. A convivência com o Homero de Hollywood nem sempre foi fácil. Conta a lenda que, certa vez, ela foi esbofeteada pelo diretor em uma festa. 

Fez também os filmes O Suplício de Lady Godiva, que provocou sensação em 1955 porque ela supostamente estaria nua, coberta somente pela cabeleira; O Homem Que Eu Devia Odiar, o primeiro Sam Peckinpah; e mais dois westerns com Wayne – Quando Um Homem É Homem, de Andrew McLaglen, e Jake Grandão, de George Sherman. Seu último filme foi a comédia Mamãe não Quer Que Eu Case, com John Candy, em 1991. Depois disso, fez somente uma participação, como ela mesma, no documentário Um Século de Cinema, em 1995. Morreu em casa, em Boise, Idaho, de causas naturais, no sábado. Tinha 95 anos.

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