Divulgação
Divulgação

'A Rede Social', sobre o Facebook, encerra a 34.ª Mostra

Vasta programação da Mostra de Cinema termina nesta quinta, com a exibição do filme de David Fincher

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2010 | 06h00

E, como tudo que é bom, a Mostra chega ao fim. Depois de duas semanas de programação intensa, Leon Cakoff e Renata de Almeida anunciam nesta quinta, 4, à noite os vencedores do Troféu Bandeira Paulista, atribuído pelo júri internacional que formaram (e que inclui figuras como o crítico Michel Ciment e os cineastas Alan Parker e Ana Luiza Azevedo). Logo após a premiação, será projetado o filme de encerramento e esta é a boa surpresa de hoje.

 

Veja também:

especialConfira a programação da Mostra

video Veja trailer de 'A Rede Social'

 

Potiche, de François Ozon, seria um programa atraente, um tanto pelo currículo do diretor, mas também pelos elogios que colheu no recente Festival de Veneza. Um problema incontornável de projeção fez com que fosse substituído por uma atração maior ainda - A Rede Social, o aguardado longa de David Fincher sobre a criação do Facebook.

 

A Rede Social estreia em 3 de dezembro no País. Em junho, Cancún, no México, sediou o Sony Summer, evento com que a major de Hollywood antecipa, para jornalistas de todo o mundo, as pérolas de sua produção anual. A Rede Social ainda não estava pronto e somente duas cenas - basicamente de diálogos - puderam ser exibidas. O próprio Fincher não compareceu, porque ainda filmava uma cena importante. Mas lá estavam os atores Jesse Eisenberg, Justin Timberlake e Andrew Garfield.

 

Justamente o último virou uma das estrelas de Cancún , com Angelina Jolie, Julia Roberts e Javier Bardem, intérpretes, respectivamente, de Salt e Comer, Rezar, Amar. Isso porque, no dia seguinte às entrevistas de A Rede Social, foi anunciado que ele será o próximo Homem-Aranha, no filme dirigido por Marc Webb. O garoto guardou o segredo direitinho durante os encontros para falar de A Rede Social. Permitiu que os colegas Jesse Eisenberg e Justin Timberlake chamassem mais atenção. Para os jornalistas brasileiros, de qualquer maneira, era o top do trio, justamente porque interpreta Eduardo Saverin.

 

Se é internauta ou se interessa minimamente por negócios, você sabe de quem se trata. É o brasileiro - paulistano - que fundou o Facebook com Mark Zuckerberg e que hoje está afastado da empresa, na suíte de um desentendimento com o antigo amigo. Fizeram um acordo bilionário e Saverin saiu de cena, enquanto Zuckerberg permanece como CEO do Facebook.

 

A história é contada por Ben Mezrich no livro Bilionários por Acaso. "O filme (de David Fincher) não é só sobre a fundação do Facebook", esclareceu Eisenberg. Com sua cara de nerd, ele parece ter nascido para interpretar Zuckerberg. "É sobre como dois garotos em busca de aceitação social criaram a que é hoje a maior rede de comunicação do mundo." Embora o Facebook não seja o site de relacionamento mais usado no Brasil, possui cerca de 500 milhões de usuários no mundo, contra 85 milhões do Orkut. Isso representa muito, inclusive em termos de dinheiro. "David (Fincher) é um grande diretor e fez um filme adulto sobre relações. Não sei se é isso que a garotada quer ver", diz Eisenberg

 

Hackers bem-sucedidos

 

No ano passado, Jesse Eisenberg interpreta Mark Zuckerberg, o poderoso CEO do Facebook. Eisenberg integra o elenco com Justin Timberlake e Andrew Garfield. Timberlake e ele passaram para jornalistas de todo o mundo a impressão de serem mais descolados do que Garfield, que faz Eduardo Saverin. Parecia até por causa do papel. Saverin quase não aparece e, muito menos, dá entrevistas. Afirma-se que é decorrência do acordo bilionário que fez ao sair da empresa que fundou com Zuckerberg.

 

Talvez fosse outra coisa - o próprio Garfield teria eclipsado seus colegas de elenco, se a imprensa já soubesse que é o novo Homem-Aranha. O anúncio foi feito somente no dia seguinte às entrevistas de A Rede Social. O curioso - normal no caso de um filme sobre a fundação do Facebook - é que Garfield e Eisenberg se revelaram usuários assumidos do site. Já Timberlake disse que não é tão ligado assim na rede social. Acha legal (cool), mas não tem Facebook e, eventualmente, usa o dos integrantes de sua banda. O filme, como o livro em que se baseia, conta como Saverin e Zuckerberg foram parceiros na criação do thefacebook, que foi a base para o Facebook.

 

O livro põe ênfase no fato de que uma rede formada para aproximar as pessoas terminou, ironicamente, por separar dois amigos. O rompimento é apenas insinuado - as diferenças entre os fundadores -, anunciaram os atores de A Rede Social. É o que será possível confirmar hoje, quando o filme de David Fincher encerrar a 34.ª Mostra de Cinema. Mais três semanas e, na sexta-feira, 3 de dezembro, o filme estará estreando em salas de todo o Brasil, com a expectativa de vir a ser uma das atrações do próximo Oscar.

 

Garfield disse que até tentou, mas não conseguiu se encontrar com Saverin. Eisenberg, além de se haver encontrado com Zuckerberg, disse que encontrou vasto material sobre ele na própria rede. Mas ambos confirmam que David Fincher não pretendeu fazer uma obra documentada sobre o Facebook. "O filme é acima de tudo divertido. Tem muitos diálogos, mas é movimentado. É para quem curte relacionamentos", define Eisenberg.

 

Na trama, Saverin quer entrar numa daquelas fraternidades exclusivas de Harvard. Seu amigo Zuckerberg segue o atalho mais curto. Invade, como hacker, o sistema de cadastramento e cria uma database para rastrear todas as garotas da universidade. Numa única noite, e somente em Harvard, o thefacebook supera a marca de mil usuários. O resto é história - até chegar aos mais de 500 milhões de usuários atuais.

 

Fiel ao modelito nerd que encarna na tela, Eisenberg não poupa elogios a David Fincher. "Não trabalhei com muita gente, mas ele é, de longe, o maior diretor que conheço. David tem o filme todo na cabeça. É impressionante como domina a linguagem."

 

Onde anda Eduardo Saverin?

 

É a pergunta que não quer calar na internet. Muita gente tenta seguir o rastro do cofundador do Facebook, mas ele é reticente a entrevistas. Há informações de bastidores de que sua reclusão faz parte do acordo que assinou ao sair do site, do qual é acionista, com 5% das ações, o suficiente para ter ficado bilionário (em reais). Em Cancún, Andrew Garfield, que interpreta Saverin, não poupou elogios ao roteirista Aaron Sorkin. Ator de teatro e cinema - representou Shakespeare na Inglaterra e está no longa Não me Deixe Jamais, outra atração da Mostra, Garfield ousa dizer que Sorkin escreve quase tão bem quanto o bardo genial. "Está tudo no roteiro, você só tem de servir ao texto. Acho que, no fundo, foi o que fez o próprio David (Fincher). Mas ele trabalhou muito com Aaron (Sorkin) para chegar a essa perfeição." Garfield chegou a usar um adjetivo - ‘sorkinian’, para se referir à complexidade da linguagem sorkiniana. "O roteiro era tão denso que parecia um romance. Foi a Bíblia em que me baseei. Eduardo (Saverin) nasceu no Brasil, foi para Miami, para Harvard. Nada disso me era familiar. Meu primeiro desafio foi entender sua brasilidade. Fui fazer capoeira e foi divertido. Assim como é possível usar o sotaque para criar um personagem, a capoeira também representa um impacto cultural. O que ela faz com o corpo da gente se reflete em tudo. Na forma como atuamos, interagimos. Eduardo é filho de empresário bem-sucedido. Eu também sou filho de empresário. Terminei fazendo um link da história dele com a minha. Acho que isso ajudou na criação do personagem."

Tudo o que sabemos sobre:
'A Rede Social'Mostra de Cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.